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Apenas 11% das PME europeias investem em sustentabilidade apesar do potencial competitivo
Relatório revela que as pequenas e médias empresas, que representam 99% do tecido empresarial da UE, enfrentam volatilidade dos custos de energia e obstáculos no acesso a recursos.
14 Jan 2026 - 09:33
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Apenas 11% das 23 milhões de pequenas e médias empresas (PME) europeias realizaram investimentos substanciais na área da sustentabilidade, “apesar do enorme potencial que têm em termos de redução de custos, resiliência e competitividade”, evidencia um relatório divulgado pela Schneider Electric e pela Solar Impulse Foundation, nesta terça-feira.
As PME representem 99% de todas as empresas e mais de metade do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia (UE). O documento “Unlocking SME Competitiveness in Europe” mostra que, embora 93% destas empresas tenha já aplicado, pelo menos, uma medida ao encontro da eficiência de recursos, “apenas um quarto adotou estratégias abrangentes de redução de carbono”.
“O futuro industrial da Europa está numa encruzilhada, sobretudo quando vemos o papel por explorar que as PME podem desempenhar na resolução dos nossos desafios energéticos e no reforço da competitividade”, argumenta o vice-presidente executivo de operações na Europa da Schneider, Laurent Bataille.
O responsável adianta que “a eletrificação e a digitalização não são ambições; são imperativos”, ao acrescentar que “as tecnologias existem – o que importa agora é a sua adoção em larga escala e rapidez na execução”. Para Laurent Bataille, “escalar estas soluções entre as PME vai reforçar a soberania industrial e a competitividade de custos da Europa, reduzir a dependência de energia importada e aumentar a resiliência face a choques globais”.
A Europa tem como missão aumentar a sua percentagem de eletrificação de 21.3% para 32% até ao final da década, mas, para isso, “é necessário tomar ação urgente”, declaram os responsáveis pelo relatório.
PME “expostas à volatilidade dos preços da energia”
O documento reconhece que as PME enfrentam obstáculos no que toca ao poder de negociação e ao acesso a recursos, o que as torna “desproporcionalmente expostas à volatilidade dos preços da energia”. Para as entidades autoras, esta realidade mostra a urgência de mais apoio político, de modelos de negócio inovadores e de soluções digitais que ajudem as empresas “a gerir custos e a reforçar a resiliência”.
O relatório apresenta quatro recomendações para ajudar estas empresas a lidarem com os choques de preços: “finalizar a revisão da diretiva europeia de tributação energética para tornar a eletricidade mais competitiva”; “harmonizar e simplificar os processos de licenciamento, ligação à rede e normas técnicas aplicáveis às PME”; “utilizar fundos públicos de forma estratégica para reduzir o risco de projetos com elevado capital e permitir uma modernização rápida das PME”; e “apoiar modelos de negócio colaborativos e baseados em serviços”.
O fundador e chairman da Solar Impulse Foundation acredita que “a eficiência é o superpoder oculto da Europa” e que “cada quilowatt-hora poupado, cada fluxo de trabalho otimizado, cada processo mais inteligente, reforçam a nossa competitividade e rentabilidade”. Bertrand Piccard diz que “a eletrificação e a digitalização não são apenas atualizações técnicas – são instrumentos de transformação e resiliência”.
“Ao adotarem estas soluções, as PME podem fazer mais e melhor com um menor consumo de energia e recursos, reduzir o seu impacto ambiental e desbloquear novas oportunidades de crescimento económico. A eficiência não é um custo; é um investimento valioso”, reitera.
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