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Associação Almargem pede solução para aterro no sotavento algarvio

Organização alerta que o alargamento de aterros não resolve a crise estrutural na gestão de resíduos sólidos urbanos na região, sublinhando que a taxa de deposição em aterro no Algarve ronda os 81,9%.

03 Fev 2026 - 17:16

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Foto: Unsplash

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A associação ambiental Almargem defende que o contínuo alargamento de aterros sanitários no Algarve não constitui uma solução sustentável para o problema da gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU), alertando para uma situação ambiental, social e sanitária próxima do colapso na região.

A posição surge no âmbito da Consulta Pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do Aterro Sanitário do Sotavento do Algarve, que decorre até 4 de fevereiro e prevê a criação de mais uma célula de deposição de resíduos.

Numa nota enviada às redações, a Almargem refere que se trata de uma “estratégia repetida e falhada”, semelhante à aplicada anteriormente no Aterro Sanitário do Barlavento, baseada no aumento da capacidade dos aterros em vez de uma mudança estrutural nos modelos de recolha, tratamento e valorização dos resíduos.

No passado dia 29 de janeiro, a associação promoveu, na Cortelha, uma sessão de informação e apoio à participação pública, envolvendo população local e regional. O diagnóstico apresentado confirmou, segundo a Almargem, a gravidade da situação, com impactos severos para as comunidades que vivem nas imediações dos aterros.

Entre os principais problemas relatados estão a circulação constante de veículos pesados no interior da aldeia, a poluição das linhas de água, maus cheiros persistentes e a dispersão de resíduos leves, como plásticos e papel, por vários quilómetros.

Segundo a associação, os moradores manifestam cansaço, desilusão e descrença face às promessas não cumpridas pelas entidades responsáveis.

A Almargem denuncia ainda práticas consideradas ilegais e inaceitáveis, como a deposição contínua de matéria orgânica sem triagem prévia, a ineficiência na compactação dos resíduos e uma taxa de deposição em aterro no Algarve que ronda os 81,9%, muito acima da média nacional e em incumprimento das metas assumidas por Portugal junto da União Europeia.

Por fim, a associação apela às autarquias, à Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) e à empresa concessionária ALGAR para que “assumam responsabilidades” e avancem com soluções estruturais.

A Almargem sublinha que “o Algarve não pode continuar a afirmar-se como região de excelência turística enquanto trata os seus resíduos com práticas indignas de um território europeu do século XXI, com claros laivos de terceiro-mundo”.

 

 

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