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Associação de Leiria destaca “notável capacidade de recuperação” das empresas após tempestades

O diretor executivo da NERLEI CCI, Henrique Carvalho, considera que o tecido empresarial da região de Leiria voltou a evidenciar “capacidade de adaptação perante situações de grande adversidade”.

23 Jul 2026 - 11:39

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Foto: Câmara Municipal de Leiria

Foto: Câmara Municipal de Leiria

A Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria (NERLEI CCI) destacou a “notável capacidade de recuperação” das empresas quando passam seis meses da depressão Kristin e criticou o estado das comunicações nalgumas zonas.

“As empresas da região têm demonstrado uma notável capacidade de recuperação. A reação tem sido marcada por dinamismo, força e, sobretudo, resiliência”, afirmou o diretor executivo da NERLEI CCI, Henrique Carvalho, considerando que o tecido empresarial da região de Leiria voltou a evidenciar “capacidade de adaptação perante situações de grande adversidade”.

Notando que “a recuperação não foi igual para todas”, Henrique Carvalho assinalou o “contexto internacional particularmente exigente, marcado pela instabilidade geopolítica e geoestratégica, que tem condicionado mercados, cadeias de abastecimento e investimento”.

“Alguns setores, como os moldes e os plásticos, continuam a sentir dificuldades acrescidas, não apenas em consequência da tempestade, mas também devido a este enquadramento económico internacional”, referiu.

Sem conhecimento de empresas que tenham fechado definitivamente em “consequência direta da tempestade Kristin”, que em 28 de janeiro atingiu gravemente a região de Leiria, este responsável explicou que “houve situações de paragens temporárias de atividade e de danos significativos em instalações e equipamentos”.

“Também não temos conhecimento de despedimentos que possam ser diretamente associados aos efeitos da tempestade”, declarou o diretor executivo, salientando que “as empresas procuraram, de um modo geral, preservar os postos de trabalho, recorrendo aos mecanismos disponíveis e concentrando os seus esforços na recuperação da atividade”.

Quanto às linhas de crédito disponibilizadas pelo Governo para as empresas, a associação, com cerca de mil associados, reconheceu que foram “uma resposta importante para disponibilizar liquidez às empresas numa fase particularmente crítica” e a procura que registaram demonstrou que “responderam a uma necessidade real do tecido empresarial”.

Henrique Carvalho adiantou que a NERLEI CCI recebeu “alguns relatos de empresas que referiram que foram exigidas garantias adicionais além da garantia pública assegurada através do Banco Português de Fomento”.

“Embora essa seja uma prática legítima do ponto de vista das instituições financeiras”, foi transmitido “às entidades competentes que esta exigência acaba por reduzir o alcance do mecanismo criado pelo Estado e evidencia uma reduzida assunção de risco por parte da banca”, prosseguiu.

O diretor executivo sustentou que, “em momentos excecionais como este”, o sistema financeiro também “deve desempenhar um papel ativo no apoio à economia, assumindo uma parte desse risco”, lembrando que “quando o próprio setor financeiro enfrentou dificuldades, foi a sociedade, através do Estado, que interveio para garantir a estabilidade das instituições bancárias”.

Em matéria de seguros, Henrique Carvalho declarou que a principal dificuldade relatada se prendeu com “atrasos na realização das peritagens e, consequentemente, na regularização dos processos de indemnização”.

“Num contexto em que muitas empresas necessitavam de repor rapidamente a sua capacidade produtiva, teria sido desejável que as seguradoras tivessem adotado mecanismos de adiantamento sobre as indemnizações, permitindo às empresas iniciar mais cedo as reparações e reduzir os impactos na sua atividade”, defendeu.

O diretor executivo adiantou que, “em situações de catástrofe de grande dimensão, deve existir maior agilidade na resposta, conciliando a necessária avaliação técnica com soluções que assegurem liquidez imediata às empresas afetadas”, sem colocar em causa o rigor dos processos de avaliação.

Henrique Carvalho alertou que “continuam a subsistir zonas onde as comunicações fixas não foram repostas, onde a Internet só é acessível através de antenas ‘Starlink’ e locais onde a rede móvel ainda está muito instável”.

Para a NERLEI CCI, quase meio ano após a depressão, “estas situações deveriam encontrar-se plenamente resolvidas”.

“A manutenção destas limitações afeta o quotidiano das populações, condiciona a atividade económica e representa uma vulnerabilidade acrescida em emergências”, acrescentou.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

 

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