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BCE alerta para elevada exposição de Portugal ao stress hídrico nas carteiras financeiras
Novos indicadores mostram que o risco nas carteiras portuguesas poderá aumentar 14 pontos percentuais até 2100, refletindo a vulnerabilidade do país às alterações climáticas. Relatório destaca também abrandamento da dívida sustentável.
01 Dez 2025 - 07:35
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Os últimos indicadores de risco físico do Banco Central Europeu (BCE) revelam que as instituições financeiras da área do euro enfrentam uma exposição crescente a fenómenos climáticos extremos, incluindo cheias, tempestades, incêndios, stress térmico e stress hídrico.
Portugal surge entre os países do sul da Europa mais afetados, com um aumento projetado de 14 pontos percentuais no risco de stress hídrico até 2100, no cenário de maiores emissões (SSP5–RCP8.5, a amarelo no gráfico). As diferenças entre cenários são mínimas, indicando que a vulnerabilidade do país é consistente independentemente das projeções de emissões.
No conjunto da região, Espanha lidera com o maior aumento esperado, de 19 pontos percentuais, enquanto França regista um acréscimo de cerca de 14 pontos percentuais no cenário de maiores emissões. Em contraste, países do norte da Europa, como Bélgica, Irlanda e Países Baixos, apresentam aumentos mais modestos.
Segundo o BCE, os indicadores sublinham a importância de os bancos integrarem estes riscos climáticos nas suas estratégias financeiras, dado o impacto crescente das alterações climáticas nas carteiras de crédito e investimento.

Gráfico: BCE
Crescimento da dívida sustentável abranda na área do euro
O mesmo documento salienta que a dívida sustentável na zona euro continua a aumentar, mas a um ritmo mais lento. Nomeadamente, o montante de títulos de dívida sustentável emitidos na área do euro quase quadruplicou nos últimos quatro anos, passando de 453 mil milhões de euros em janeiro de 2021 para 1,74 biliões de euros em setembro de 2025. No entanto, o ritmo de crescimento tem vindo a abrandar, com as emissões totais de dívida sustentável na área do euro a aumentaram 10% nos últimos 12 meses, em comparação com os 20% registados no ano anterior.
Tendências semelhantes observam-se nas detenções de dívida sustentável na área do euro, que continuam a crescer, atingindo 1,96 biliões de euros em junho de 2025, mais 14% do que em junho de 2024, após um crescimento de 20% no período precedente, refere o mesmo documento relativo aos indicadores estatísticos atualizados sobre clima. Esta informação visa, segundo o BCE, reforçar a capacidade do setor financeiro de avaliar a evolução do financiamento sustentável, bem como os riscos de transição e físicos relacionados com as alterações climáticas.
Apesar do abrandamento, o BCE demonstra que os indicadores continuam a mostrar um mercado robusto e em maturação, impulsionado pela procura por instrumentos alinhados com objetivos ambientais, mas já menos marcado pelo crescimento acelerado que caracterizou a fase inicial deste segmento financeiro.
Os últimos dados do BCE revelam também que as carteiras das instituições financeiras da área do euro estão a descarbonizar-se, mesmo com o aumento do volume de ativos. Entre 2018 e 2023, as emissões financiadas pelas carteiras de empréstimos caíram 45% e a intensidade carbónica diminuiu 43%, enquanto nas carteiras de títulos, entre 2018 e 2024, as emissões desceram 16% e a intensidade carbónica 41%. Estes resultados mostram uma redução significativa do risco de transição sem comprometer o financiamento ou investimento.
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