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BCE reforça vigilância sobre capacidade de bancos para lidar com consequências físicas de riscos climáticos
Supervisor europeu considera certo que a degradação da natureza irá influenciar cada vez mais a política monetária.
16 Jan 2026 - 11:35
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BCE | Foto: Giulia Buccolini/BCE
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BCE | Foto: Giulia Buccolini/BCE
O Banco Central Europeu (BCE) considera certo que a degradação da natureza irá influenciar, de forma crescente, a orientação e as decisões de política monetária. Nesse sentido, num comunicado divulgado nesta sexta-feira, o BCE refere que irá avançar nos seus esforços em prol do clima e da natureza, após a conclusão do plano para 2024-2025.
O banco central mantém um compromisso firme de integrar as questões climáticas e ambientais no seu trabalho, assegurando a resiliência face aos crescentes riscos físicos e aos desafios da transição. O supervisor europeu irá reforçar a sua atuação em três áreas prioritárias: a transição para uma economia verde — incluindo a avaliação prudencial dos planos de transição dos bancos, análises adicionais sobre os custos energéticos e fiscais e a exploração de formas de melhor integrar as considerações climáticas na estrutura operacional —; a forma como os bancos irão lidar com os crescentes impactos físicos das alterações climáticas na economia e no sistema financeiro, através do reforço da análise macroeconómica, da melhoria do acompanhamento de dados e riscos e da realização de análises adicionais sobre a capacidade das instituições financeiras enfrentarem os desafios associados ao risco físico; e, por último, a atribuição de especial atenção aos riscos relacionados com a água, no contexto do impacto da degradação dos ecossistemas.
Estas prioridades irão complementar as ações em curso do BCE relacionadas com o clima, que abrangem a política monetária, a supervisão bancária e a estabilidade financeira, nomeadamente a implementação do fator climático no quadro de garantias do Eurosistema, o desenvolvimento de metodologias de cenários e testes de esforço (stress tests) e a garantia de uma gestão prudente dos riscos climáticos e ambientais por parte dos bancos.
“O BCE continuará também a melhorar os dados relevantes para o seu trabalho e a aperfeiçoar os seus indicadores e divulgações relacionados com o clima. Contribuirá ainda para o debate político europeu e global, sempre que pertinente”, refere o comunicado.
A instituição liderada por Christine Lagarde faz ainda uma súmula da sua atuação no âmbito do plano 2024-2025, destacando o aprofundamento das considerações climáticas e ambientais no seu quadro de políticas, incluindo o quadro de garantias do Eurosistema, bem como a redução das emissões de carbono das obrigações de empresas detidas pelo Eurosistema.
O BCE destaca igualmente a realização de testes de esforço climáticos, como o exercício Fit for 55, a atualização dos indicadores estatísticos climáticos com novas metodologias e dados, e a melhoria do acompanhamento da evolução das finanças sustentáveis, dos esforços de redução das emissões de carbono e do impacto dos riscos físicos relacionados com o clima.
É ainda referido o reforço da supervisão bancária ambiental em todo o sistema financeiro, incluindo a emissão de decisões vinculativas sempre que necessário.
O banco central sublinha também a integração dos riscos climáticos na gestão das suas próprias operações e do seu balanço, através da incorporação de considerações climáticas nas carteiras de políticas não monetárias, bem como a redução das emissões das suas próprias operações em 39% em 2024, face a 2019, em linha com as metas ambientais estabelecidas para 2030.
O BCE reafirma, por fim, o seu compromisso de cumprir o seu mandato num contexto cada vez mais marcado pelos riscos climáticos e ambientais.
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