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Bill Gates reuniu com ministra do Ambiente e CEO da EDP em Madrid para avaliar redes elétricas ibéricas

Encontro ao abrigo das regras de Chatham House analisou capacidade das infraestruturas portuguesas e espanholas para suportar centros de dados da Microsoft, que anunciou investimento de 20 mil milhões de euros na região.

23 Jan 2026 - 17:12

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Ministra do Ambiente e Energia e Bill Gates | Foto: CleanTech for Iberia

Ministra do Ambiente e Energia e Bill Gates | Foto: CleanTech for Iberia

Bill Gates, fundador da Microsoft, reuniu-se na passada segunda-feira em Madrid com a ministra portuguesa do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e com Miguel Stilwell d’Andrade, presidente executivo da EDP, num encontro que juntou os principais responsáveis das redes elétricas ibéricas para avaliar as infraestruturas energéticas da Península. O encontro aconteceu após a tecnológica americana anunciar que planeia investir cerca de 20 mil milhões de euros em centros de dados na região.

A reunião de alto nível contou ainda com a presença de executivos da Iberdrola e da operadora espanhola Redeia, segundo avançou o jornal espanhol El Mundo. O encontro foi promovido pela Breakthrough Energy e pela Cleantech for Iberia, duas organizações de investimento ligadas a Gates que se dedicam à descarbonização energética.

O tema central da discussão foi o Pacote de Redes Europeias, a principal iniciativa regulatória da Comissão Europeia para expandir e reforçar as infraestruturas elétricas dos 27 Estados-membros. De acordo com fontes da indústria citadas pelo El Mundo, a estratégia de Bruxelas visa eliminar obstáculos que já estão a atrasar a implantação de novas indústrias e centros de dados na União Europeia. A Microsoft terá manifestado reservas em relação à proposta europeia, alertando que atrasos burocráticos na ligação dos seus centros de dados em alguns países poderiam levá-la a desviar investimentos para outras geografias.

Durante o encontro em Madrid, a Microsoft terá exposto as condições de investimento e financiamento consideradas necessárias para mobilizar capital em grandes projetos de reforço da rede elétrica na Península Ibérica, infraestruturas vistas como essenciais para viabilizar o plano de centros de dados que a empresa tem previsto para o território europeu.

A reunião decorreu ao abrigo das regras de Chatham House, que permitem a utilização da informação partilhada sem identificação dos participantes, uma prática histórica que facilita debates abertos sobre matérias consideradas controversas ou sensíveis do ponto de vista comercial.

Nas redes sociais, nesta sexta-feira, o gabinete de Maria da Graça Carvalho confirmou a presença da ministra no encontro, ao explicar que estiveram em reflexão sobre “a necessidade de reforçar, digitalizar e expandir as redes, acelerando o licenciamento, as interligações e as condições de investimento”. No entanto, não foram ainda anunciados planos específicos de investimento da Microsoft em Portugal.

Também estava prevista a participação da ministra espanhola da Transição Ecológica, Sara Aagesen, que cancelou à última hora devido ao acidente ferroviário em Adamuz, na província de Córdova. O desastre ferroviário levou ainda ao cancelamento de uma reunião entre Bill Gates e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, agendada para a mesma tarde.

O encontro realizou-se num contexto particularmente sensível. O Governo espanhol prepara um decreto-lei que obrigará as grandes tecnológicas a prestar contas detalhadas sobre o consumo de energia e água dos seus centros de dados, numa resposta ao crescente escrutínio sobre o impacto destas infraestruturas no fornecimento elétrico e no preço final pago pelos consumidores.

A própria Comissão Europeia, embora mais favorável ao setor tecnológico, trabalha em medidas destinadas a evitar bolhas de preços e perturbações no mercado elétrico. Os Estados Unidos surgem como exemplo dos riscos associados à concentração destas infraestruturas: relatórios recentes indicam que regiões com forte presença de centros de dados registaram aumentos no preço da eletricidade até 267% em cinco anos.

Segundo o El Mundo, a Microsoft reconheceu esse impacto no mercado norte-americano e comprometeu-se a absorver os custos, aceitando pagar tarifas elevadas para compensar os efeitos diretos e indiretos do consumo energético dos seus centros de dados.

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