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“Blade lifter”: o sistema inovador que transporta pás eólicas de 85 metros
Operação demora mais de duas horas, desde a subida da pá pela grua até à sua instalação no ‘hub’, onde é preciso apertar 240 parafusos. Máquina tem 114 metros de altura de torre, chegando aos 199 metros com a pá na vertical.
05 Mar 2026 - 18:02
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Blade lifter | Foto: Iberdrola
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Blade lifter | Foto: Iberdrola
O transporte das pás de 85 metros dos aerogeradores, que estão a ser instalados no Parque Eólico do Tâmega, está a ser feito com recurso a um “blade lifter”, sistema que permite contornar curvas apertadas e inclinações.
“Estamos a ver a instalação de uma pá de uma eólica. É a maior pá eólica que temos, de momento, em Portugal, são 85 metros de pá. É uma operação delicada, temos que ter muito controlo do vento, da operação em si, das gruas”, afirmou o gestor de construção da Iberdrola Renewables Portugal, Giancarlo Pedro.
O responsável falava aos jornalistas durante uma visita ao Parque Eólico Tâmega Norte, que a empresa está a construir entre Cabeceiras de Basto (distrito de Braga) e Salto, concelho de Montalegre (distrito de Vila Real). Giancarlo Pedro especificou que a operação demora mais de duas horas, desde a subida da pá pela grua até à sua instalação no ‘hub’, onde é preciso apertar 240 parafusos.
É uma espécie de puzzle gigante, um sistema modular. Os aerogeradores chegam às peças ao parque que são, depois, montadas no local. A máquina tem 114 metros de altura de torre, chegando aos 199 metros com a pá na vertical. Em termos comparativos, a torre Vasco da Gama, em Lisboa, tem uma altura de 145 metros.
A torre está dividida em cinco tramos, depois a ‘nacelle’ onde está instalado o “coração do sistema” (gerador e todo o equipamento mecânico da turbina), e, por fim o ‘hub’ que acopla a ‘nacelle’ e onde encaixam as três pás. As pás vêm inteiras via Porto de Aveiro até Cabeceiras de Basto, e toda a logística de transporte obrigou a uma preparação “especial e demorada”.
Até Cabeceiras o transporte é convencional, mas depois, até Salto, a subida de 13 quilómetros é feita com recurso ao sistema ‘blade lifter’, um equipamento robusto, onde são fixadas as pás e que as permite rodar, na vertical ou horizontal, através de um mecanismo hidráulico onde a pá é acoplada para transporte e atinge inclinações de até ao máximo de 60 graus. É como uma espécie de elevador de pás.
Este sistema permite contornar curvas apertadas, inclinações e outros obstáculos, adaptando-se às estradas existentes. Para a sua passagem, foi necessário efetuar algumas podas de árvores e, em alguns troço, até a enterrar linhas de energia e de comunicações.
O “blade lifter” é uma base de ancoragem da pá, instalada num camião, que é operada por uma equipa de três pessoas. Anda a cinco quilómetros/hora e o percurso demora cerca de cinco horas a ser feito. Para causar menos constrangimentos na circulação rodoviária o transporte é feito duas vezes por semana e sobem três pás de cada vez. É também acompanhado pela GNR, os horários foram ajustados para impactar o menos possível junto das comunidades, nomeadamente, por exemplo, nos autocarros escolares e existem ainda acessos alternativos.
“É uma atividade que requer todo um cuidado, tem uma equipa especializada só para trabalhar diretamente com este equipamento”, salientou Giancarlo Pedro. A expectativa, acrescentou, é que todos os transportes, de cerca de 110 pás, estejam concluídos até final de março, prevendo-se que a produção de energia eólica no Parque Norte arranque em junho. Giancarlo Pedro explicou ainda que cada aerogerador tem 7,2 megawatts de potência e que estas são máquinas de última geração.
Este é, segundo a Iberdrola, o maior parque eólico de Portugal e é o “primeiro projeto” com conexão híbrida entre geração hidrelétrica e eólica, ficando ligado ao Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), que inclui as centrais hidroelétricas e as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, situadas no distrito de Vila Real.
A hibridização das tecnologias eólica e hidroelétrica possibilita o compartilhamento da mesma infraestrutura de conexão ao sistema elétrico, reduzindo os custos e minimizando os impactos ambientais. O Parque Eólico representa um investimento de 350 milhões de euros, a Iberdrola e prevê uma produção anual de 601 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de 128 mil residências, ou seja, igual aos das cidades de Guimarães e de Braga.
Segundo a empresa, permitirá também evitar mais de 230 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano, vai contribuir para a autonomia energética de Portugal e representa um “passo significativo” para alcançar os objetivos do Plano Nacional de Energia e Clima do país.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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