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Brasil cria maior plataforma mundial de pagamentos por serviços ambientais

Projeto pretende ligar agricultores a investidores para preservar florestas nativas e poderá gerar 15 mil milhões de dólares em cinco anos.

09 Fev 2026 - 13:52

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Foto: Unsplash

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A empresa brasileira de dados agrícolas Agrotools está a concluir a construção daquela que afirma ser a maior plataforma mundial de pagamento por serviços ambientais, após garantir um empréstimo público bonificado. A informação foi avançada por um responsável da empresa à Reuters.

A plataforma permitirá que agricultores recebam pagamentos de arrendamento, a preços de mercado, em troca da preservação da vegetação nativa nas suas propriedades. Segundo Bernardo Pires, responsável pelas relações governamentais da Agrotools, o objetivo é recompensar financeiramente quem mantém áreas naturais intactas.

Os fundos deverão vir de empresas e governos obrigados a compensar a sua pegada de carbono, ligando investidores a agricultores numa região considerada um dos maiores sumidouros de carbono do mundo.

De acordo com a Agrotools, existem cerca de 280 milhões de hectares de vegetação nativa dentro de propriedades privadas no Brasil. Destes, cerca de 70 milhões de hectares podem ser legalmente desmatados e aproximadamente 30 milhões apresentam elevado potencial agrícola, com condições adequadas de solo, clima e logística.

A empresa acredita que muitos agricultores irão preferir receber rendimentos através do arrendamento ambiental em vez de expandir culturas ou pecuária em biomas sensíveis, como a Amazónia e o Cerrado.

A estratégia pretende reduzir riscos financeiros e climáticos, ao mesmo tempo que limita as emissões de gases com efeito de estufa (GEE).

A pressão para expandir áreas agrícolas tem aumentado no Brasil, um dos principais produtores mundiais de alimentos. A soja e a pecuária continuam a ser dos principais motores da desflorestação no país.

Segundo a empresa, a plataforma poderá atrair até 15 mil milhões de dólares em investimentos ao longo de cinco anos, permitindo preservar uma área agrícola equivalente a cerca de sete vezes o território dos Países Baixos.

O valor baseia-se em pagamentos anuais estimados de 100 dólares por hectare de vegetação preservada.

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