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Gigantes do café continuam a falhar na transição sustentável apesar de pressão legislativa da UE
Barómetro do café mostra que a maioria das empresas continua a não garantir transparência nas suas cadeias de abastecimento, apesar de legislação da UE como a CSDDD e a Lei da Desflorestação. Pobreza na origem continua a ser o maior desafio do setor.
14 Jun 2026 - 14:31
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As empresas do setor do café continuam a falhar na transparência das cadeias de abastecimento, apesar da pressão crescente da regulamentação da União Europeia, conclui o novo Barómetro do Café, publicado nesta sexta-feira.
Segundo o barómetro, que analisou empresas do setor como Nestlé, Kraft Heinz, Lavazza e Tchibo, medidas europeias como o Regulamento de Desflorestação (EUDR, na sigla inglesa) e a Diretiva de Devida Diligência Corporativa (CSDDD, na sigla inglesa) estão a pressionar as empresas para reforçar a rastreabilidade, a transparência ecológica e o controlo das cadeias de abastecimento, mas ainda sem sucesso.
O setor do café parece continuar muito longe de alcançar as diretivas europeias, devido à complexidade das cadeias de abastecimento, onde a rastreabilidade até ao produtor final permanece “incompleta ou difícil de verificar”, mostra o relatório produzido por organizações não governamentais.
Segundo o relatório, quando 15 das maiores empresas do setor foram questionadas sobre quanto do seu café era produzido de forma sustentável, as respostas oscilaram entre 9% e 99%, demonstrando como o “contraste entre empresas é marcante”.
Embora algumas empresas, como a Lavazza e a JDE, já apresentem dados que comprovem a sua evolução, a grande maioria continua a não disponibilizar informação suficiente acerca das suas cadeias de abastecimento e produção, tal como a Néstle e a Starbucks, evidencia o barómetro.
Neste sentido, o barómetro salienta a importância da CSDDD para a transição, já que esta diretiva da União Europeia irá exigir que as grandes empresas resolvam problemas relacionados com direitos humanos e impactos ambientais nas suas cadeias de abastecimento, sob pena de enfrentarem coimas que podem atingir até 3% do seu volume de negócios global, a partir de 2029.
A desflorestação é outra das principais preocupações apontadas pelo barómetro. Num contexto de alterações climáticas, o setor está mais vulnerável a fatores como a seca ou chuvas intensas, que alteram a qualidade dos solos, o que leva à necessidade de expansão e exploração de novos terrenos, contribuindo não só para a perda de biodiversidade, mas também para o aumento das emissões de carbono, mostra o relatório.
De acordo com o barómetro, o Regulamento Europeu da Desflorestação é essencial para controlar esta expansão, uma vez que exige que todo o café colocado no mercado da União Europeia seja “comprovadamente livre de desflorestação”, ao obrigar as empresas a demonstrar a origem geográfica da produção e a capacidade de rastrear cada lote até à parcela agrícola em que foi colhido.
Em simultâneo, o documento alerta para a pegada ambiental da própria cadeia de abastecimento, marcada pelas emissões associadas ao processamento, transporte e torrefação, bem como ao uso de fertilizantes e práticas agrícolas intensivas. De acordo com o relatório, a redução destas emissões depende “não apenas de melhorias tecnológicas, mas também de mudanças estruturais nos modelos de produção e aquisição”.
Além disso, a análise expõe que o setor do café continua a ser dominado por pequenos agricultores que vivem na pobreza, constituindo este o principal desafio da indústria. Devido à “complexidade das cadeias de abastecimento”, a maioria dos lucros são retidos nos países de consumo, em vez de nos países de cultivo, mostra o relatório.
O relatório destaca ainda a fragilidade das medidas implementadas pelas empresas, que “continuam a tratar problemas estruturais como técnicos”, explica o relatório. “As empresas publicam compromissos de sustentabilidade, enquanto as suas operações comerciais principais continuam a depender da compra de matérias-primas a baixo custo. Enquanto esta situação não mudar, os investimentos em sustentabilidade estarão apenas a contornar o problema, em vez de o resolver”, lê-se no relatório.
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