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EUA e Canadá recuam nas políticas climáticas e comprometem metas de emissões
Ainda que os cortes de Mark Carney sejam menores que os de Donald Trump, o país já reconheceu que não deverá atingir as metas de redução de emissões estabelecidas para 2030 e 2035.
17 Out 2026 - 15:15
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Donald Trump e Mark Carney presidente dos EUA e do Canadá respetivamente | Foto White House
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Donald Trump e Mark Carney presidente dos EUA e do Canadá respetivamente | Foto White House
O Canadá e os Estados Unidos têm vindo a reverter medidas de combate às alterações climáticas, comprometendo os objetivos de redução de emissões, alerta o Climate Action Tracker (CAT).
Num relatório divulgado pelo CAT nesta semana, a organização destaca o fim de medidas ambientais tanto pela administração de Donald Trump, como pelo governo canadiano, liderado por Mark Carney.
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, reconheceu que o país não deverá atingir as metas de redução de emissões estabelecidas para 2030 e 2035. Perante o recuo nas políticas climáticas, o CAT classifica as atuais medidas do Canadá como “insuficientes a nível crítico”.
Segundo a organização, há dois anos previa-se que as políticas implementadas e planeadas pelo Canadá permitissem reduzir as emissões em 30% até 2030, face aos níveis de 2005. Contudo, após a eliminação ou o enfraquecimento de várias dessas medidas, a redução prevista é agora de apenas 14%.
Entre as decisões do governo de Mark Carney está a eliminação do preço do carbono aplicado aos consumidores, o cancelamento do limite previsto para as emissões do setor do petróleo e do gás e a revogação da norma relativa à disponibilidade de veículos elétricos.
Além disso, o governo do Canadá enfraqueceu ainda o sistema de fixação do preço do carbono para a indústria e encerrou antecipadamente o programa de plantação de dois mil milhões de árvores.
“O que nos choca é a verdadeira dimensão do recuo do primeiro-ministro Carney nas políticas climáticas, em grande parte em benefício da indústria dos combustíveis fósseis”, afirma Bill Hare, diretor executivo da Climate Analytics, uma das organizações parceiras do CAT.
“Esta devastação climática promovida por Carney, embora não seja tão grave como a de Trump, está a seguir rapidamente a mesma direção, apesar de o país estar a ser atingido por incêndios florestais recorde e outros impactos climáticos devastadores. Com base nesta avaliação, a União Europeia deve ter cuidado para que uma colaboração mais estreita com o Canadá não comprometa as suas próprias políticas climáticas”, acrescenta o diretor executivo da Climate Analytics.
A organização considera ainda que a administração Trump está a promover o recuo mais agressivo e abrangente nas políticas de combate às alterações climáticas que alguma vez analisou.
“A Administração Trump continua a intensificar o retrocesso mais agressivo, abrangente e significativo nas metas, políticas e financiamento da ação climática que o Climate Action Tracker alguma vez analisou”, considera Finn Hossfeld, responsável pela análise dos Estados Unidos no CAT e membro da NewClimate Institute.
Entre as medidas referidas estão a revogação da base jurídica que sustentava a regulamentação federal das emissões, a eliminação de normas de emissões para veículos novos e centrais elétricas alimentadas a combustíveis fósseis e a redução dos incentivos federais à energia limpa.
O governo norte-americano abandonou ainda o Acordo de Paris e iniciou o processo de saída da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Segundo o CAT, estas decisões comprometem as metas de redução de emissões para 2030, 2035 e 2050.
A organização destaca igualmente a expansão da produção de petróleo e gás e a aprovação de novas centrais elétricas a gás fóssil, numa altura em que a procura de eletricidade está a aumentar, em parte devido à expansão dos centros de dados para inteligência artificial.
O CAT estima que, em consequência destas alterações, a expansão das energias renováveis após 2030 poderá ficar quase 80% abaixo das previsões anteriores. As vendas de veículos elétricos em 2030 poderão também representar uma proporção entre 40% e 60% inferior à anteriormente projetada.
Apesar deste cenário, a organização refere que alguns estados norte-americanos e outros atores favoráveis à ação climática esperam que as eleições intercalares de novembro possam alterar o rumo político do país.
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