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Carregamento inteligente pode poupar 10,6 mil milhões de euros às redes elétricas europeias
De acordo com a Siemens, os veículos elétricos a bateria deverão representar, em 2030, 27,3% do parque automóvel de passageiros da Suécia, 15,7% na Alemanha, 4,6% em Itália, 4,5% em Espanha e 2,5% na Polónia.
13 Set 2026 - 10:40
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A Europa poderá poupar mais de 10,6 mil milhões de euros em investimento nas redes elétricas até 2030 se fizer uma utilização mais eficiente da capacidade existente, à medida que aumenta a adoção de veículos elétricos, segundo uma nova análise da Siemens.
O estudo, encomendado pela EIT Urban Mobility, ChargeUp Europe e Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis (ACEA), estima que serão necessários 24,7 mil milhões de euros em investimentos nas redes de distribuição de eletricidade para acompanhar o crescimento previsto dos veículos elétricos. Com a utilização de sistemas de gestão inteligente da carga, esse valor poderá baixar para cerca de 14,1 mil milhões de euros.
A análise avaliou o impacto da adoção prevista de automóveis de passageiros e veículos comerciais ligeiros elétricos a bateria nas redes de distribuição dos 27 Estados-membros da União Europeia e de três países do Espaço Económico Europeu.
O modelo foi aplicado a 64 centros urbanos, com base em seis tipos de cidades, para avaliar de que forma o investimento, a digitalização e a flexibilidade podem preparar as redes elétricas para a transição para a mobilidade sem emissões.
A gestão da carga dos veículos elétricos consiste no controlo quase em tempo real da potência utilizada durante o carregamento, de forma a evitar sobrecargas da rede nos períodos de maior procura de eletricidade.
Segundo o estudo, combinada com a digitalização das redes, esta solução permite utilizar melhor a capacidade existente e reduzir a necessidade de reforços, embora não elimine a necessidade de intervenções físicas nas redes.
“A expansão da mobilidade elétrica não passa apenas por aumentar o número de veículos elétricos nas estradas ou por expandir as infraestruturas de carregamento”, afirmou Adriana Diaz, diretora de Inovação da EIT Urban Mobility, defendendo uma coordenação entre os setores da mobilidade, energia e tecnologia.
Para a responsável, é necessária uma coordenação entre mobilidade, energia e tecnologia para que a transição aconteça “mais rapidamente, de forma mais justa e a um custo mais baixo”.
Mais veículos elétricos pressionam as redes
A adoção de veículos elétricos deverá acelerar nos próximos anos. De acordo com o modelo da Siemens, os veículos elétricos a bateria deverão representar, em 2030, 27,3% do parque automóvel de passageiros da Suécia, 15,7% na Alemanha, 4,6% em Itália, 4,5% em Espanha e 2,5% na Polónia, valores que representam um crescimento entre 3,4 e 5,3 vezes face aos níveis de 2024.
No caso dos veículos comerciais ligeiros, a quota dos veículos elétricos a bateria deverá chegar aos 22,7% na Suécia, 9,1% na Alemanha e 5,9% na Polónia. Neste último país, o número de furgões elétricos deverá quase decuplicar no mesmo período.
À medida que os operadores logísticos eletrificam as frotas para cumprir metas climáticas e objetivos de qualidade do ar urbano, o carregamento de veículos comerciais e em depósitos deverá colocar novas exigências sobre as redes.
O estudo aponta para uma pressão particularmente elevada sobre as redes de baixa tensão, onde deverá ser necessário 77,7% do investimento destinado a reforços físicos da rede, sobretudo devido ao carregamento residencial dos veículos elétricos.
Nos 64 centros urbanos analisados, o número de veículos elétricos a bateria deverá crescer 3,8 vezes até 2030 e todos deverão necessitar de reforços da rede para acompanhar esse aumento.
Embora as grandes áreas metropolitanas apresentem as maiores necessidades de investimento, todas as cidades analisadas terão de reforçar as respetivas redes de distribuição de eletricidade.
As necessidades de investimento variam entre regiões, com a Europa Central a concentrar a maior parcela, seguida pelos países nórdicos, Europa de Leste e Europa do Sul. Para Lucie Mattera, secretária-geral da ChargeUp Europe, esta evolução mostra que “a expansão das infraestruturas de carregamento e das redes elétricas deve avançar em conjunto”.
De acordo com o estudo, local e o momento em que os veículos são carregados terão também um impacto significativo na procura local de eletricidade. O estudo estima que entre 55% e 62% dos proprietários de veículos elétricos nas cidades analisadas deverão ter acesso a carregamento residencial em 2030.
Assim, as cidades com menor acesso a carregamento privado em casa deverão depender mais das infraestruturas públicas, o que reforça, segundo os autores, a necessidade de articular a instalação de carregadores com o planeamento das redes elétricas.
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