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Cascais Ambiente justifica investimento de meio milhão de euros em sacos verdes com “volatilidade” no preço do plástico
Empresa municipal diz que definiu um preço máximo de 50 cêntimos por rolo para proteger a operação das oscilações do mercado. Recolha de biorresíduos já permitiu uma poupança estimada de 280 mil euros nas contas municipais.
17 Ago 2026 - 06:26
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Foto: EMAC
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A Cascais Ambiente lançou um concurso público com um preço base de 550 mil euros, para a aquisição de sacos verdes destinados ao projeto de separação de biorresíduos no concelho.
O anúncio, publicado a 11 de agosto em Diário da República, prevê a aquisição de sacos de polietileno para recolha de lixo e resíduos, com a classificação CPV 19640000.
Questionada pelo Jornal PT Green, a EMAC – Empresa Municipal de Ambiente de Cascais, entidade por detrás da marca Cascais Ambiente, justificou esta aquisição com a volatilidade no preço do plástico. “Nos últimos meses, o setor tem sido marcado por uma volatilidade acentuada no preço do plástico e dos materiais reciclados, consequência direta da conjuntura internacional. Este aumento não é específico de Cascais, mas trata‑se de uma tendência transversal ao mercado que afeta todos os operadores que dependem destes materiais”, explica Filipa Cardoso, chefe da Unidade de Comunicação da EMAC. Acrescentando que “para garantir previsibilidade e evitar que a operação ficasse exposta a oscilações bruscas, a Cascais Ambiente realizou uma consulta ao mercado e definiu um valor máximo por rolo (0,50€)”. Ou seja, a iniciativa corresponde à aquisição de cerca de 1,1 milhões de rolos.
Segundo a Cascais Ambiente, os sacos verdes cumprem critérios específicos de resistência e impacto ambiental, sendo produzidos em material 100% reciclado. A aquisição está integrada no projeto de “Separação de Biorresíduos”, destinado a apoiar a recolha resíduos orgânicos, como restos de alimentos e outros resíduos biodegradáveis.
A entidade destaca que a região foi pioneira na recolha de biorresíduos, iniciada em 2018 e alargada à totalidade do território em 2023, antes da obrigatoriedade nacional.
O sistema consiste na entrega de um balde de 7 litros e de um rolo de sacos verdes no momento da adesão, seguida da distribuição gratuita, via correio, de dois rolos a cada dois meses. A solução permite que os biorresíduos sejam colocados no mesmo contentor dos resíduos indiferenciados. Os sacos verdes são posteriormente identificados através de leitores óticos na Tratolixo e separados para valorização.
Este modelo é igualmente utilizado nos municípios de Oeiras, Sintra e Mafra.
Para Filipa Cardoso, este sistema de recolha de biorresíduos “tem sido determinante para que o município se mantenha entre os primeiros lugares nacionais na recolha seletiva deste fluxo”.
Recolha de biorresíduos gera poupança de 280 mil euros
Em 2024, foram recolhidas 3.403 toneladas de biorresíduos em Cascais, cerca de 16 quilos por habitante. Este desempenho contribui para a redução da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR), estando prevista, no caso dos biorresiduos, a isenção da taxa de entrada na Tratolixo, avança a Cascais Ambiente.
“Se considerarmos os valores de 2024 (30 Eur/ton TGR; 52,52 Eur/ton Tratolixo), só aqui, estamos a falar de uma poupança direta estimada de cerca de 280 mil euros às contas municipais”, assinala Filipa Cardoso.
A adesão ao sistema tem vindo a crescer. Atualmente, 78.355 famílias estão aderentes ao sistema, recebendo anualmente cerca de 12 rolos por agregado, o que representa 940.260 rolos distribuídos por ano, número ao qual acrescem os pedidos adicionais. Mas além da distribuição domiciliária os munícipes podem solicitar rolos adicionais.
A utilização de sacos verdes apresenta ainda vantagens operacionais e ambientais, uma vez que não exige contentorização adicional na via pública, reduz os custos de manutenção, evita lavagens de contentores e diminui as emissões associadas à circulação de viaturas, destaca a entidade.
Segundo estimativas da Tratolixo, quando comparado com um modelo de recolha seletiva tradicional, este sistema permite evitar anualmente cerca de 15 milhões de quilos de CO₂, devido à redução da circulação de viaturas de recolha e lavagem.
Permite ainda poupar cerca de 133.848 metros cúbicos de água potável por não ser necessária a lavagem de contentores domésticos e outros 150 mil metros cúbicos pela ausência de lavagem de contentores na via pública.
No total, a poupança estimada ronda os 300 mil metros cúbicos de água potável por ano, equivalente ao consumo de água de cerca de seis meses da vila de Mafra.
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