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Catástrofes naturais custam mais de 100 mil milhões de dólares às seguradoras pelo sexto ano consecutivo

Swiss Re diz que perdas económicas diminuem, mas seguradoras mantêm exposição elevada. Estados Unidos concentram 83% dos prejuízos segurados, enquanto indústria alerta para necessidade urgente de políticas de prevenção

16 Dez 2025 - 16:30

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Foto: Freepik

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Os prejuízos económicos resultantes de desastres naturais em todo o mundo caíram aproximadamente um terço durante 2025, atingindo 220 mil milhões de dólares (o equivalente a cerca de 187 mil milhões de euros), segundo estimativas preliminares da Swiss Re. Por sua vez, as perdas para seguradoras voltaram a superar os 100 mil milhões de dólares, confirmando uma tendência que se arrasta há seis anos. Os dados divulgados nesta terça-feira apontam para um total de 107 mil milhões de dólares (91 mil milhões de euros) em prejuízos, um valor que, ainda assim, é 24% inferior aos 141 mil milhões registados em 2024.

Os números são dominados por dois fenómenos distintos: os incêndios florestais que assolaram Los Angeles, nos EUA, no primeiro trimestre e as tempestades severas que continuam a causar estragos em várias regiões do globo. O economista-chefe do Swiss Re, Jérôme Jean Haegeli, declara que “em meio à volatilidade anual, as perdas seguradas continuam a aumentar”. Defende que, perante esta realidade, é preciso “reforçar a prevenção, a proteção e a preparação” para proteger vidas e bens-materiais.

EUA são principal responsável pelos prejuízos globais 

Os Estados Unidos concentram, uma vez mais, a grande fatia dos prejuízos. Com 89 mil milhões de dólares em perdas seguradas, 83% do total global, o país norte-americano viu-se a braços com a pior época de incêndios florestais jamais registada. Os fogos consumiram 40 mil milhões de dólares apenas em indemnizações, um recorde que resulta da combinação entre condições meteorológicas extremas, como a seca prolongada, calor intenso e ventos fortíssimos, e o crescimento descontrolado de áreas residenciais de luxo nas “zonas perigosas de interface urbano-florestal”, indica o estudo.

As tempestades caracterizadas por tornados, granizo e ventos devastadores, representaram outros 50 mil milhões de dólares em perdas à escala mundial. É o terceiro ano mais caro de sempre neste capítulo, apenas superado por 2023 e 2024. Nos Estados Unidos, os primeiros seis meses do ano foram particularmente intensos, com surtos de tornados em março e maio que ultrapassaram as médias históricas. Na Europa, as tempestades de granizo registadas em maio e junho acabaram por causar danos limitados, já que atingiram sobretudo regiões com menor concentração de património segurado.

O diretor de riscos de catástrofes DO Swiss Re, Balz Grollimund, sublinha que estas tempestades se tornaram “um risco importante” para as seguradoras, num contexto marcado pela urbanização de zonas vulneráveis, pelo encarecimento dos custos de construção e pelo envelhecimento das infraestruturas. “É fundamental que as seguradoras considerem o efeito cumulativo de eventos frequentes e de baixas perdas”, alerta, defendendo uma abordagem mais abrangente na gestão destes riscos.

Apesar de uma temporada de furacões no Atlântico Norte tecnicamente ativa, com 13 tempestades, cinco furacões e três de categoria 5, as perdas seguradas por ciclones tropicais ficaram abaixo do esperado. Pela primeira vez em dez anos, nenhum furacão atingiu a costa dos Estados Unidos. O furacão Melissa, que devastou a Jamaica em outubro como uma tempestade de categoria 5 e com ventos próximos dos 300 quilómetros por hora, foi o mais dispendioso do ano, custando até 2,5 mil milhões de dólares às seguradoras.

No Sudeste Asiático, novembro trouxe inundações catastróficas ao Vietname, Tailândia e Indonésia. A interação de sistemas ciclónicos e monções intensificadas pelas condições de La Niña provocou chuvas torrenciais, deslizamentos de terra e cheias repentinas que causaram destruição generalizada na região.

O setor das seguradoras insiste que o seu papel vai além de serem simples “amortecedores financeiros”. Haegeli defende que a indústria deve apoiar ativamente o desenvolvimento de políticas públicas informadas sobre riscos e incentivar investimentos privados que reduzam as perdas futuras.

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