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CEO da EDP alerta para dificuldade em obter licenciamentos para redes elétricas em Portugal
Presidente executivo do grupo de distribuição energética defende mais investimento em redes e frisa que o país e a Europa continuam a enfrentar burocracia excessiva.
16 Set 2025 - 16:21
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O presidente executivo da EDP alertou nesta terça-feira que “não há transição energética sem investimento em redes” e defendeu a necessidade de acelerar os licenciamentos em Portugal, considerando essencial criar condições para atrair capital e viabilizar o investimento em infraestruturas.
“Portugal e Espanha passaram por uma fase de eletrificação nos anos 70 e 80, grande parte desse investimento tem uma vida útil de cerca de 40 anos. Portanto, é preciso substituição, modernização, digitalização e atrair capital, porque o investimento em redes é absolutamente essencial”, afirmou Miguel Stilwell d’Andrade, à margem da apresentação do novo passo do projeto-piloto de hidrogénio na central do Ribatejo, em Alenquer, ao injetar a primeira molécula numa turbina a gás em ambiente industrial real.
O gestor frisou que, apesar dos avanços, a Europa e Portugal continuam a enfrentar burocracia excessiva. “Portugal já deu passos importantes, mas acho que é sempre possível fazer mais. Quando olhamos para outras geografias, como os Estados Unidos ou a Ásia, vemos governos a serem bastante assertivos na simplificação e na agilização destes processos de licenciamento precisamente para que se possa investir”, observou.
Miguel Stilwell d’Andrade destacou também que o projeto piloto do Ribatejo tem como objetivo testar a injeção de hidrogénio numa turbina a gás em ambiente real, e não a produção com energias renováveis.
“Produzimos muitíssimas renováveis – mais de 90% da nossa produção já é renovável –, mas o objeto deste projeto era validar a injeção na central”, explicou, adiantando que, no futuro, os projetos em curso da empresa poderão evoluir para hidrogénio descarbonizado e aumentar a percentagem ao longo do tempo.
“Em função também das condições que existam, e da própria maturidade da tecnologia, vamos dando outros passos”, acrescentou.
O evento contou igualmente com a presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que anunciou legislação para acelerar a atribuição de capacidade à rede e simplificar licenciamentos ambientais, garantindo que Sines será uma das primeiras “zonas de aceleração” para renováveis.
A cerimónia desta terça-feira marcou também a primeira produção de hidrogénio pela EDP na Europa, no âmbito do projeto europeu FLEXnCONFU, que junta 21 parceiros de 10 países e é financiado pelo programa Horizonte Europa.
A iniciativa foi concretizada na central termoelétrica de ciclo combinado do Ribatejo, em Alenquer, com o objetivo de validar a aplicação prática da combinação de hidrogénio e gás natural em contexto de operação, algo ainda pouco explorado no setor.
O piloto, que foi desenvolvido por um consórcio internacional que reúne 21 parceiros de 10 países europeus, inclui um eletrolisador de 1,25 MW, que permitirá produzir, comprimir e armazenar hidrogénio para depois ser usado em mistura com gás natural na turbina da central.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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