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China domina mercado global de baterias com crescimento de 75% nas exportações

Reformas no setor elétrico chinês e procura de centros de dados impulsionam indústria que já controla produção mundial de células para armazenamento de energia.

22 Dez 2025 - 09:59

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Foto: Wikimedia

Foto: Wikimedia

A China está a consolidar o seu domínio no mercado global de armazenamento de energia, com as empresas chinesas a projetarem um aumento de 75% nas exportações de células de baterias de iões de lítio este ano, segundo dados recolhidos pela agência Reuters. As exportações de baterias, incluindo as destinadas a veículos elétricos e armazenamento de energia, atingiram um valor recorde de 65 mil milhões de dólares nos primeiros dez meses do ano, reforçando a posição do país num setor estratégico para a transição energética.

O crescimento acentuado resulta de uma conjugação de fatores internos e externos. No mercado chinês, a reforma do setor elétrico, implementada em junho, veio a alterar a dinâmica económica do armazenamento. Os novos projetos são agora obrigados a vender energia através de leilões de mercado, no lugar de uma taxa fixa, ao tornar rentável a operação de centrais de armazenamento que lucram com a diferença entre períodos de preços baixos e altos. Esta reorganização acordou uma capacidade instalada que estava praticamente inativa por falta de viabilidade económica.

Internacionalmente, a procura dispara impulsionada pelo crescimento acelerado dos centros de dados para inteligência artificial (IA), pelas necessidades da rede elétrica europeia envelhecida e pela expansão dos negócios de energia renovável chineses no Médio Oriente. “Combinar energia solar com armazenamento tornou-se efetivamente a única solução para atender às necessidades de energia dos centros de dados de IA dos EUA”, afirmou o analista da UBS Yishu Yan, citado pela Reuters, ao prever que a energia de base norte-americana [gás, nuclear, térmica] não deve crescer significativamente nos próximos cinco anos.

Os seis maiores fornecedores globais de células de bateria são todos chineses – CATL, HiTHIUM, EVE Energy, BYD, CALB e REPT BATTERO -, de acordo com um ranking da consultora Infolink. A EVE Energy registou um aumento de 35,5% no volume de vendas de armazenamento de energia nos primeiros três trimestres face ao período homólogo. “Esses fabricantes líderes têm encomendas cheias. Muitos estão a trabalhar em turnos duplos para tentar atender à procura”, observou Cosimo Ries, analista da Trivium China, citado pela Reuters, considerando o boom “uma das maiores surpresas do ano no setor energético da China”.

A Agência Internacional de Energia prevê que o investimento global em instalações de armazenamento de baterias aumente 16% este ano, para 66 mil milhões de dólares, com grande parte a ser captado por empresas chinesas. A UBS elevou para 25% a sua previsão para 2026 relativamente às instalações globais de armazenamento de energia em baterias, enquanto a Infolink projeta que as remessas possam crescer entre 33% e 43% no próximo ano (800 gigawatts-hora).

A China já detém cerca de 40% da capacidade global de armazenamento em baterias, impulsionada por mandatos de governos locais que obrigam produtores a adicionar armazenamento a projetos eólicos e solares. Este ano, a capacidade de armazenamento em baterias do país ultrapassou mesmo a das suas centrais hidroelétricas reversíveis convencionais, que utiliza água armazenada de barragens para gerar eletricidade.

Contudo, o cenário não é isento de riscos. Yan alertou para as restrições norte-americanas em projetos que recebem créditos fiscais e envolvem “entidades estrangeiras preocupantes”, categoria que inclui a China. Apesar destas incertezas, as baterias mantêm-se como a exportação de tecnologia limpa mais lucrativa da China desde 2022, ultrapassando a energia solar fotovoltaica.

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