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Comércio global provoca milhões de mortes por poluição em países de menor rendimento

Estudo publicado na revista Nature revela que até 18% das mortes anuais associadas à poluição do ar estão ligadas ao comércio internacional, com os impactos mais graves concentrados em países de menor rendimento.

18 Abr 2026 - 14:35

4 min leitura

Foto: Adobe Stock/24Novembers

Foto: Adobe Stock/24Novembers

Um novo estudo científico conclui que uma parte significativa das mortes associadas à poluição atmosférica resulta de bens e serviços consumidos em países ricos, mas produzidos em economias mais pobres. Publicado na revista Nature, a análise estima que entre 14% e 18% das cerca de 5,1 milhões de mortes anuais causadas por partículas finas (PM2.5) estão associadas a trocas comerciais entre países com níveis de produto interno bruto (PIB) distintos.

A investigação cruza modelos económicos, atmosféricos e epidemiológicos para mapear como a produção orientada para exportação contribui para a exposição à poluição em diferentes regiões do mundo. Ao contrário de estudos anteriores, que analisavam grandes blocos regionais, este trabalho observa cerca de 200 países individualmente, permitindo identificar padrões e desigualdades específicas.

Os resultados mostram que países com maior PIB per capita tendem a “externalizar” parte dos impactos ambientais do seu consumo. Ou seja, bens consumidos nesses países são frequentemente produzidos em economias mais pobres, onde as emissões associadas acabam por gerar efeitos diretos na saúde das populações locais.

Os países responsáveis pelo maior número de mortes relacionadas com a produção incluem a China (950–959 mil mortes), a Índia (436–453 mil), a Indonésia (112–120 mil), o Japão (84,4–89,1 mil) e o Brasil (74,7–81,6 mil).

Além disso, a poluição atmosférica pode percorrer longas distâncias e afetar países vizinhos, ou até regiões distantes da fonte. Os países cujas emissões causam o maior número destas mortes relacionadas com a poluição transfronteiriça incluem a Índia (90,0–94,3 mil), o Paquistão (38,5–40,3 mil), a China (37,9–40,5 mil), Turquia (35,7–37,4 mil) e Arábia Saudita (33,8–36,8 mil).

Maioria dos países “importa” mortes por consumo fora fronteiras

Os investigadores explicam que a responsabilidade pelos problemas de saúde decorrentes da poluição também pode ser atribuída à entidade que se encontra no final de uma série de transações económicas que, em última instância, resultam nas emissões poluentes. Os países que causam o maior número de mortes relacionadas com o consumo incluem a China (670–844 mil mortes), a Índia (344–356 mil), os Estados Unidos (239–246 mil), o Japão (99,3–114 mil) e a Indonésia (84,7–99,6 mil).

Em cerca de 80% dos países, a maioria das mortes causadas pelo consumo de bens e serviços acontece fora das suas fronteiras. As principais exceções são a China, a Indonésia, o Brasil, a Colômbia, o Peru, a Índia e as Filipinas, cada um dos quais regista internamente mais de dois terços das mortes globais causadas pelo consumo próprio.

Entre os maiores “exportadores líquidos de mortes” contam-se os Estados Unidos (166–175 mil), o Reino Unido (27–42 mil), França (27–35 mil) e Alemanha (17–33 mil), enquanto os maiores “importadores” são a China (206–372 mil), Índia (89–120 mil), Indonésia (12–35 mil) e Bangladesh (27–30 mil)

Segundo os autores, este fenómeno evidencia limitações nos métodos tradicionais de avaliação económica, que frequentemente desvalorizam o custo das mortes em países de menor rendimento. Essa abordagem pode, na prática, favorecer decisões económicas que mantêm, ou até agravam, a desigualdade na distribuição dos impactos ambientais.

O estudo propõe, por isso, uma nova forma de contabilizar os custos da poluição no comércio internacional, procurando evitar que atividades mais poluentes sejam transferidas para países com menor capacidade económica e regulatória. O objetivo é contribuir para políticas que reduzam os efeitos indiretos das cadeias globais de produção.

Os autores sugerem, então, “um método para avaliar os impactos do comércio na poluição atmosférica, concebido para evitar a priorização de atividades poluentes em países de baixos rendimentos e para ajudar a reduzir os efeitos colaterais negativos das decisões em matéria de comércio e investimento”.

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