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“Crédito à Habitação Verde” reduz juros na compra de casa
Preocupações ambientais são consideradas no Reino Unido desde 2018 com os bancos a oferecer “descontos” para imóveis com maior eficiência energética.
16 Jan 2026 - 17:32
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Foto: Adobe Stock/promesaartstudio
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Numa altura em que a crise da habitação é uma preocupação em vários países europeus, o Banco de Inglaterra publicou um estudo sobre a evolução do chamado “Crédito à Habitação Verde” no mercado britânico.
Segundo o documento, a consideração dos Certificados de Desempenho Energético (Energy Performance Certificates – EPC) na formação do pricing dos créditos à habitação no Reino Unido começou a ganhar relevância a partir de 2018, “com os credores a oferecerem descontos nos preços dos empréstimos destinados à compra de imóveis com maior eficiência energética”.
Esses descontos tornaram-se mais significativos a partir de 2022, atingindo os 22 pontos base.
As hipotecas associadas a imóveis com EPC elevados concentram-se sobretudo em novas construções, o que sugere condições de crédito mais flexíveis e um aumento do investimento imobiliário, com implicações para a economia no seu conjunto.
Segundo o Banco de Inglaterra, “a inovação nos créditos hipotecários verdes tem o potencial de influenciar a atividade económica real através do seu impacto no financiamento da habitação”. O estudo mostra que “os mutuantes alargam a sua oferta de produtos ao introduzirem créditos hipotecários verdes com condições mais favoráveis. Se estes produtos financiarem de forma desproporcionada a construção nova, em detrimento de imóveis existentes, podem aliviar as restrições de crédito para os compradores de habitação nova”.
“A redução dos custos de financiamento desloca a curva da procura para fora; num contexto de uma curva de oferta relativamente elástica e de custos de construção estáveis, este deslocamento torna financeiramente viáveis projetos marginais, conduzindo a um aumento da oferta de habitação e da atividade da construção e contribuindo, em última análise, para o crescimento económico”, acrescenta o estudo.
O documento evidencia três conclusões principais. Em primeiro lugar, “a inovação de produtos pode amplificar sinais de política pública e choques económicos. Ao alterar as condições de crédito, a inovação pode moldar a alocação do financiamento e amplificar os efeitos de iniciativas regulamentares ou de acontecimentos macroeconómicos na atividade real. Os créditos hipotecários verdes ilustram este mecanismo no domínio ambiental: ao incorporar a eficiência energética na formação de preços, os mutuantes reforçam os objetivos das políticas climáticas e aceleram a descarbonização do parque habitacional”.
Em segundo lugar, “a dinâmica da inovação de produtos pode servir como um indicador de alerta precoce para supervisores e decisores políticos. A monitorização da forma como novos atributos passam a ser relevantes na formação de preços fornece perspetivas de antecipação sobre o comportamento do mercado e os riscos emergentes, permitindo a conceção de quadros regulamentares ‘à prova do futuro’”.
Por último, o estudo refere que “a investigação futura poderá quantificar estes canais e analisar se dinâmicas semelhantes surgem noutros mercados de crédito, como o financiamento às PME, onde a conceção direcionada de produtos pode influenciar o investimento e a produtividade”.
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