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Dieta global mais saudável poderia reduzir em 85% as emissões da agricultura
Estudo publicado na Nature prevê uma redução de 42% no valor da produção pecuária mundial e um aumento de 57% na produção de frutas, legumes, frutos secos e leguminosas.
01 Ago 2026 - 10:30
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Foto: Freepik
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Uma mudança global para dietas mais saudáveis, aliada a uma agricultura mais eficiente e à redução do desperdício alimentar, poderia transformar o sistema alimentar mundial até 2050, reduzindo em 85% as emissões de CO₂ associadas à alteração do uso do solo e diminuindo a necessidade de terras agrícolas. A transição teria, contudo, impactos económicos significativos, com a produção pecuária a perder valor e os setores de origem vegetal a ganhar peso.
Publicado na revista científica Nature, o estudo resulta de uma colaboração entre investigadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine, da Cornell University e dez equipas especializadas em modelização, que analisaram os efeitos de uma transformação do sistema alimentar global semelhante à proposta pela Comissão EAT-Lancet.
O modelo desenvolvido pelos investigadores estima que, caso estas recomendações sejam adotadas, a utilização global de terras agrícolas poderá diminuir até 6% face às tendências atuais. Em simultâneo, o valor total da produção pecuária poderá cair 42% em comparação com 2020, uma redução equivalente a cerca de 536 mil milhões de euros.
As maiores mudanças ocorreriam na produção de animais ruminantes, como bovinos, ovinos e caprinos. Até 2050, o valor global deste setor poderá diminuir cerca de 70%, uma perda estimada de 233 mil milhões de euros, com menos cerca de 400 milhões de animais ruminantes em todo o mundo face a 2020.
Em sentido contrário, a produção de alimentos de origem vegetal registaria um forte crescimento. O valor combinado da produção mundial de legumes, frutas, frutos secos e leguminosas poderia aumentar 57%, ou cerca de 757 mil milhões de euros.
As leguminosas incluem alimentos como feijão, ervilhas, lentilhas e grão-de-bico. Estes produtos são importantes fontes de proteína e fibra e, geralmente, exigem menos recursos para serem produzidos do que muitos alimentos de origem animal, refere o estudo.
Matt Gibson, autor principal do estudo, que iniciou o trabalho na Cornell University antes de integrar a London School of Hygiene & Tropical Medicine, afirmou que a transformação dos sistemas alimentares teria grandes benefícios para a saúde e para o ambiente, mas implicaria também mudanças profundas na agricultura mundial e afetaria milhões de agricultores e produtores alimentares.
Segundo o investigador, os governos terão de tomar decisões difíceis para proteger a saúde pública e o planeta, enfrentando interesses instalados num sistema alimentar que, atualmente, considera não responder adequadamente às necessidades dos produtores nem dos consumidores.
Os resultados mostram que esta transição não seria apenas uma mudança ambiental ou de saúde pública. Teria também impactos económicos significativos, com alguns setores agrícolas a reduzir a sua dimensão e outros a expandirem-se.
Na Europa, o valor global da produção agrícola poderia cair 35%, uma redução estimada em 162 mil milhões de euros.
A produção vegetal poderia diminuir 8%, cerca de 19 mil milhões de euros, enquanto a produção pecuária poderia recuar 66%, uma perda de aproximadamente 143 mil milhões de euros.
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