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Azambuja chumba estatuto PIN para investimento de 2.000 milhões em centro de dados
António Matos explica que o município não se opõe à instalação de um centro de dados, mas que neste momento “as dúvidas são mais do que as certezas”, uma vez que “não existe um estudo de impacto ambiental, acústico e paisagístico”.
31 Jul 2026 - 15:38
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A Câmara de Azambuja emitiu um parecer desfavorável à classificação como Projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN) de um centro de dados previsto para Alcoentre, alegando falta de estudos para avaliar o empreendimento, estimado em 2.000 milhões de euros.
A decisão foi tomada na última reunião do executivo municipal, com a aprovação de uma proposta da liderança (PS) no sentido de transmitir à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) um parecer desfavorável ao reconhecimento de PIN para a “instalação de uma infraestrutura digital de grande escala”.
A proposta foi aprovada, por maioria, com os votos favoráveis de dois eleitos do PS e do eleito da CDU e a abstenção de um vereador socialista.
Em protesto, os dois vereadores do PSD recusaram-se a participar nesta votação, alegando que houve falta de transparência por parte da liderança do executivo, presidido pelo socialista Silvino Lúcio, segundo explicaram, em comunicado, os eleitos sociais-democratas.
Em causa está a implementação de um ‘data center’ (Centro de Dados), designado por Azambuja DC, na freguesia de Alcoentre, promovido pela empresa francesa Neoen, um dos principais produtores de energia renovável a nível mundial, num investimento previsto de 2.000 milhões de euros.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Câmara de Azambuja, António Matos, explicou que o município não se opõe à instalação de um centro de dados, mas que neste momento “as dúvidas são mais do que as certezas”, numa altura em que “não existe um estudo de impacto ambiental, acústico e paisagístico”.
“O que nós fizemos foi dizer à AICEP que dávamos um parecer desfavorável porque as dúvidas são mais do que as certezas. Não podíamos passar uma espécie de cheque em branco quando há tanta coisa por esclarecer”, justificou.
O autarca advertiu que a localização prevista para o investimento, junto à Torre Bela, levanta preocupações pelo impacto nas populações residentes, “já afetadas por outras infraestruturas”.
“Aquelas pessoas já foram tão sacrificadas. Têm os painéis fotovoltaicos, tiveram uma luta tremenda por causa das linhas de alta e muito alta tensão, vão levar com o TGV e agora mais isto?”, observou.
Por sua vez, contactada pela Lusa, fonte da empresa Neoen afirmou respeitar a posição da Câmara de Azambuja, mas ressalvou que o parecer “refere-se ao processo de eventual atribuição do estatuto PIN, que não é vinculativo, nem corresponde a uma decisão sobre o licenciamento ou a concretização do projeto”.
“O Azambuja DC encontra-se ainda numa fase de estudos preliminares, não existindo, neste momento, uma decisão definitiva sobre a sua concretização. Estão em curso os estudos técnicos e ambientais necessários para avaliar a sua viabilidade e os potenciais impactos, nomeadamente ao nível do ruído, da água, do trânsito, da paisagem e da biodiversidade”, refere a empresa.
Segundo a promotora, estão em curso os estudos técnicos, ambientais e económicos necessários para avaliar a viabilidade da infraestrutura e os seus potenciais impactos, “nomeadamente ao nível do ruído, da água, do trânsito, da paisagem e da biodiversidade”.
“A Neoen mantém-se disponível para esclarecer o município e apresentar os elementos técnicos à medida que os estudos forem concluídos”, assegurou a empresa.
Relativamente ao consumo de água, a Neoen estima um consumo anual de cerca de 9.225 metros cúbicos, valor que, segundo a empresa, foi validado pela Águas da Azambuja como compatível com a capacidade da rede.
Caso se concretize a implementação deste centro de dados, é expectável que sejam criados 200 postos de trabalho permanentes e cerca de 500 empregos temporários durante a construção.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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