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Mercado europeu de alimentos à base de insetos poderá ultrapassar os 3 mil ME em 2033
Investigadores portugueses defendem critérios próprios de segurança alimentar para acompanhar o crescimento do setor, que pretende trazer proteínas mais sustentáveis para a alimentação. Na Europa, apenas quatro espécies são autorizadas para consumo humano.
07 Jul 2026 - 15:05
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Farinha de insetos, barras proteicas, massas e outros ingredientes começam a chegar ao mercado europeu como alternativas sustentáveis às fontes tradicionais de proteína. Investigadores portugueses alertam, contudo, que a expansão do setor exige uma regulamentação de segurança alimentar adaptada aos novos produtos.
O consumo de alimentos produzidos a partir de insetos está a ganhar espaço na Europa, impulsionado pela procura de fontes alternativas de proteína com menor impacto ambiental. As projeções apontam para um crescimento acentuado do mercado europeu, que poderá passar de 192,7 milhões de dólares em 2025 para 3,72 mil milhões de dólares em 2033, cerca de 3,26 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual.
Apesar do potencial económico, investigadores portugueses defendem que o avanço do setor deve ser acompanhado por regras específicas de segurança alimentar. Num estudo publicado na revista científica Foods, especialistas do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) da CESPU e da empresa Tecmafoods analisaram os principais riscos associados aos alimentos à base de insetos e concluíram que é necessário adaptar os critérios de avaliação atualmente utilizados na União Europeia.
Segundo os autores, a regulamentação europeia continua a seguir uma abordagem semelhante à aplicada a alimentos tradicionais, como carne, peixe ou ovos, mas os produtos derivados de insetos apresentam características próprias que justificam uma avaliação diferenciada.
“Um dos aspetos a considerar nos alimentos à base de insetos é poderem espoletar reações alérgicas num número reduzido de consumidores com alergias conhecidas a marisco ou a ácaros, necessitando da devida identificação no rótulo”, alerta Joana Prata, professora auxiliar no IUCS-CESPU e membro integrado do 1H-TOXRUN-UCIBIO.
Esta revisão científica, publicada em junho na revista Foods, analisou 72 estudos sobre contaminantes químicos, riscos microbiológicos e potencial alergénico associados aos alimentos à base de insetos. E concluiu que os níveis de contaminantes químicos, como metais pesados, pesticidas ou micotoxinas, são geralmente baixos e situam-se dentro da gama observada noutros alimentos de origem animal quando a produção decorre sob condições controladas.
Segundo os investigadores, a segurança destes produtos depende sobretudo do controlo da cadeia de produção. A qualidade dos substratos utilizados na alimentação dos insetos é apontada como um fator determinante para prevenir contaminantes químicos, enquanto as boas práticas de higiene, processamento e armazenamento são essenciais para reduzir riscos microbiológicos.
A Tecmafoods salienta que este estudo confirma que “a segurança dos alimentos à base de insetos decide-se no controlo da cadeia de produção, desde a qualidade do substrato até às práticas de processamento. É também por isso que defendemos um quadro regulatório próprio para este setor, capaz de proteger o consumidor sem travar a inovação”.
Na União Europeia, os insetos destinados ao consumo humano são classificados como ‘novel foods’ e só podem ser comercializados após avaliação científica pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e autorização pela Comissão Europeia.
Apesar de existirem 2205 espécies de insetos que são consumidos em todo o mundo, apenas quatro espécies (gafanhoto migratório, grilo doméstico, larva da farinha amarela e larva da farinha menor) são autorizadas para consumo humano na Europa.
“Os alimentos à base de insetos têm um modo de produção sustentável e podem contribuir para diversificar as fontes de proteína disponíveis no futuro. A legislação europeia já permite a sua comercialização para consumo humano, mas muitos dos critérios de segurança continuam a basear-se em limites definidos para outras categorias alimentares. À medida que este mercado se expande, é importante uma abordagem regulatória capaz de proteger os consumidores, apoiar a inovação e reforçar a confiança em novos ingredientes alimentares”, conclui outra das autoras do estudo, Sara Silva, também membro da unidade de investigação 1H-TOXRUN-UCIBIO do IUCS-CESPU.
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