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FAO alerta para riscos químicos associados ao uso de plástico reciclado em embalagens alimentares

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura defende “normas globais harmonizadas” para garantir segurança alimentar, enquanto cresce o recurso a materiais reciclados nas embalagens de comida e bebidas.

14 Mai 2026 - 14:02

3 min leitura

Foto: Unsplash

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O aumento do uso de plástico reciclado em embalagens alimentares pode trazer benefícios ambientais importantes, mas levanta também novos riscos para a segurança química dos alimentos. O alerta é feito num relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla inglesa), que defende a criação de “normas globais harmonizadas” para regular estes materiais.

O documento surge enquanto o mercado mundial de embalagens alimentares continua a crescer, avaliado em 505 mil milhões de dólares em 2024 e com previsão de atingir 815 mil milhões até 2030. Segundo a FAO, mudanças nos padrões de consumo, como o aumento de refeições prontas, “snacks”, “fast-food”, doces e bebidas engarrafadas, estão a acelerar a procura por embalagens alimentares e outros materiais em contacto com alimentos.

A organização reconhece que estes materiais desempenham um papel relevante na redução do desperdício alimentar, ao prolongarem a vida útil dos produtos e protegerem a sua qualidade. Além disso, contribuem para reduzir custos de produção e melhorar a eficiência dos sistemas alimentares.

No entanto, o relatório destaca que a utilização generalizada de plásticos com elevada persistência ambiental tem alimentado a crise global de resíduos plásticos, incentivando a transição para materiais reciclados. No entanto, ainda menos de 10% do plástico produzido no mundo é reciclado.

A FAO avisa, contudo, para a necessidade de compatibilizar os objetivos de sustentabilidade com a proteção da saúde pública. Entre as principais preocupações identificadas está a possibilidade de substâncias químicas presentes nos materiais reciclados migrarem para os alimentos.

“Queremos reciclar mais plástico, mas também queremos garantir que, ao resolvermos um problema, não criemos novos problemas”, afirmou a diretora da Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO, Corinna Hawkes, citada no relatório. “A segurança alimentar deve ser uma consideração central na transição para sistemas agroalimentares e padrões de consumo alimentar mais sustentáveis”, reitera.

O relatório identifica igualmente riscos associados aos materiais de base biológica, produzidos a partir de recursos (como milho, cana-de-açúcar ou mandioca), porque podem constituir novos perigos, incluindo resíduos de pesticidas, toxinas naturais ou alergénios.

Outra preocupação prende-se com o recurso a substâncias adicionadas intencionalmente, como nanomateriais utilizados para melhorar o desempenho das embalagens ou criar funções ativas de conservação.

A FAO defende que os processos de reciclagem destinados a materiais em contacto com alimentos devem assegurar a remoção eficaz de contaminantes químicos. Recomenda ainda sistemas adequados de separação e triagem de resíduos plásticos antes da reciclagem.

O documento destaca também a crescente preocupação pública com a exposição a microplásticos e nanoplásticos através de alimentos e bebidas. Segundo a organização, a ausência de métodos analíticos validados para detetar estas partículas impede, por enquanto, que as autoridades reguladoras determinem de forma clara os riscos para a saúde humana.

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