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Data centers aumentam risco de instabilidade na rede elétrica devido a cargas dinâmicas
ENTSO-E alerta para necessidade de coordenações nacionais e europeia para acomodar a crescente integração de data centers no sistema elétrico. Procura de eletricidade dos data centers na Europa deve crescer mais de 50% até 2030.
15 Mai 2026 - 07:01
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Imagem: Magnefic
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A rápida expansão dos data centers está a introduzir novos riscos operacionais no sistema elétrico, uma vez que as suas cargas, altamente dinâmicas e controladas por software, podem variar de forma abrupta e provocar problemas de tensão e frequência na rede. O alerta é dado pela ENTSO-E, a Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transporte de Eletricidade, da qual faz parte a REN – Redes Energéticas Nacionais, num novo relatório que analisa os desafios e as oportunidades que os data centers representam para o sistema elétrico europeu. “Durante falhas, os sistemas UPS podem desligar grandes cargas quase instantaneamente, agravando eventos na rede e causando choques de reconexão”, explica a ENTSO-E. Neste sentido, defende que são necessários novos requisitos de ligação, controlo de tensão e amortecimento de oscilações, para garantir a estabilidade do sistema.
Mas para além destes desafios técnicos de ligação, a organização que representa operadores de 36 países diz que também persistem desafios de planeamento. “A rede deve ter recursos de geração suficientes e capacidade de transporte adequada até aos pontos de consumo. Ambos estão sob pressão devido ao aumento da procura, incluindo a dos data centres”, esclarece no relatório.
O acesso à eletricidade tornou-se um dos principais estrangulamentos do setor, com filas de ligação que podem ir de vários anos a mais de uma década. Melhor informação sobre procura, calendários de entrada em operação e utilização real pode melhorar o planeamento e reduzir atrasos. Também maior transparência sobre a capacidade da rede pode ajudar a orientar projetos para locais viáveis e aliviar zonas saturadas, desde que acompanhada por critérios mais eficazes de atribuição de capacidade, destaca a rede europeia. Ainda, acordos de ligação flexíveis podem reduzir o desfasamento temporal, permitindo operação antecipada com limitações, geração local ou armazenamento.
Atualmente, estima-se que existam mais de 10.500 data centers na Europa com pelo menos 50 kW de potência, totalizando cerca de 12,7 GW, dos quais 9,9 GW estão na UE27. Esta capacidade deverá crescer rapidamente e representar uma parte relevante do aumento do consumo elétrico nos próximos anos, sublinha a ENTOS-E, acrescentando que existem previsões de aumento superior a 50% entre 2025 e 2030, ainda que com ritmos diferentes entre países europeus.

Gráfico: ENTSO-E
Iniciativas como o Ato Europeu de Cloud e IA, previsto para 2026, poderão acelerar esta tendência ao triplicar a capacidade instalada na UE. Em paralelo, a Comissão Europeia pretende também explorar o potencial da digitalização e da IA para melhorar a operação do sistema elétrico, incluindo otimização da rede, flexibilidade da procura e integração de renováveis.
Crescimento exige mais coordenação
Impulsionado pela expansão da computação em nuvem, pelo crescimento da IA e pela crescente digitalização da atividade económica, o ecossistema europeu de data centers não só está a crescer rapidamente como também está a sofrer uma transformação estrutural com implicações diretas no sistema elétrico de transporte, destaca a entidade. Explicando que o que antes eram instalações de pequena ou média dimensão evoluiu para ativos industriais de grande escala, cuja procura elétrica se soma à da indústria pesada tradicional, crescendo a um ritmo sem precedentes. “Os data centers deixaram de ser uma categoria de procura marginal que o sistema elétrico europeu pode absorver sem gestão ativa. A sua escala, concentração geográfica e comportamento elétrico distinto tornam-nos relevantes do ponto de vista sistémico, tanto como desafio como potencial ativo”, pode ler-se na análise.
Do lado das oportunidades, a rede europeia diz que os ativos já existentes nos data centers representam um recurso inexplorado. “As mesmas capacidades de controlo que garantem operação segura podem suportar serviços de rede e participação em mercado”, esclarece. À medida que os enquadramentos regulatórios evoluem, os data centers podem deixar de ser consumidores passivos para se tornarem participantes ativos do sistema energético, contribuindo para flexibilidade, resiliência e descarbonização, aponta a ENTSO-E.
No entanto, isto depende de políticas, regulação e modelos de negócio, uma vez que tais serviços podem entrar em conflito com os objetivos operacionais principais dos data centers, adverte.
Por fim, a rede de transmissores refere que “a dimensão e impacto dos data centers exigem uma abordagem coordenada a nível europeu e nacional”. E sublinha que “a janela de oportunidade é definida pela própria velocidade de implantação dos data centers: os enquadramentos têm de estar implementados antes de a próxima vaga de capacidade chegar à rede, e não depois”.
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