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Dependência do gás pode fazer subir faturas de eletricidade na Europa até 120€ por ano

A IEEFA alerta para a forte influência do mercado de gás internacional nos preços da eletricidade na Europa. Portugal e Espanha destacam-se entre os países menos vulneráveis, graças à aposta na produção de energias renováveis.

11 Jun 2026 - 06:32

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Foto: Freepik

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Um possível aumento de 60% nos preços grossistas da eletricidade, face aos níveis anteriores a fevereiro de 2026, poderá aumentar as faturas de eletricidade das famílias europeias em até 120 euros por ano, mostra um novo estudo do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA), publicado nesta terça-feira.  

De acordo com o IEEFA, o gás continua a desempenhar um papel central para definir os preços da eletricidade na Europa, uma vez que as centrais a gás definem frequentemente o preço marginal nos mercados grossistas. Esta dependência torna os consumidores vulneráveis às oscilações do mercado global de gás natural liquefeito (GNL). 

Graças à atual instabilidade no Médio Oriente e aos riscos para o transporte de GNL através do Estreito de Ormuz, a concorrência global pelo combustível pode vir a aumentar tendencialmente e, assim, pressionar os preços europeus, mesmo que o gás consumido na Europa não provenha diretamente da região, segundo o relatório.

“Os preços das importações europeias aumentam independentemente da origem física do gás consumido na Europa”, explica Jonathan Bruegel, autor do estudo, em comunicado. “É assim que um bloqueio militar no Golfo de Omã acaba por refletir-se na fatura de eletricidade de uma família italiana”, acrescenta. 

Segundo o estudo, os países mais expostos são Itália, Reino Unido e Irlanda, onde o gás tem um peso elevado na produção de eletricidade. No caso de Itália, a forte dependência do gás torna o país mais vulnerável a choques externos no mercado energético, fazendo com que o aumento nas faturas da eletricidade possa situar-se entre 113 e 128 euros por agregado familiar.

Já a Alemanha está num nível de vulnerabilidade intermédio. Isto porque, apesar do crescimento das energias renováveis, o papel do gás mantém-se relevante no sistema elétrico alemão, devido ao encerramento de centrais nucleares e ao ritmo mais lento de redução do carvão.

Em contraste, França, Espanha e Portugal apresentam maior proteção face a choques de preços, segundo o IEEFA. França beneficia da sua frota nuclear, enquanto Portugal e Espanha têm reforçado a produção eólica e solar, o que reduz a dependência do gás na definição dos preços da eletricidade.

O estudo sublinha ainda que o crescimento das energias renováveis tem sido “determinante” para reduzir a dependência do gás na formação dos preços da eletricidade. Em mercados com maior penetração de eólica e solar, como Portugal e Espanha, os preços tendem a ser mais baixos, mas continuam dependentes de centrais a gás quando a produção renovável não é suficiente para responder à procura.

“O armazenamento de renováveis em baterias está a crescer, mas está longe da escala necessária para alterar a formação marginal dos preços”, lê-se no estudo.

Neste sentido, a IEEFA alerta que a falta de capacidade de armazenamento e de flexibilidade na rede limita o impacto positivo das renováveis, uma vez que sem soluções como baterias ou instrumentos de maior gestão da procura, o sistema elétrico continua a depender do gás para garantir o equilíbrio entre oferta e consumo em períodos de baixa produção eólica ou solar.

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