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Preços da eletricidade para próximo inverno europeu atingem nível mais alto desde 2022
Contratos energéticos de inverno estão a ser negociados com um prémio superior a 20% face ao referencial do próximo ano. A Península Ibérica destaca-se como a única região europeia com balanço hidrológico positivo.
27 Mai 2026 - 06:35
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Os contratos de eletricidade para o inverno na Europa estão a ser negociados com um prémio superior a 20% face ao referencial do próximo ano. Este é o nível mais elevado desde a crise energética de 2022, segundo dados divulgados pela agência Reuters. Os baixos stocks de gás e a redução das reservas hidroelétricas aumentam o risco de custos energéticos ainda mais elevados para empresas e famílias.
A interrupção no fornecimento energético, causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, fez subir rapidamente os preços da energia na Europa, como se comprova pela situação na Alemanha e em Itália, os dois mercados europeus de eletricidade mais dependentes da produção a gás. Nestes países, os contratos de base para o inverno estão a ser negociados acima dos 110 €/MWh e 120 €/MWh, respetivamente, mais de 20% acima do preço anual de 2027, que ronda os 92 €/MWh e 104 €/MWh, segundo dados da LSEG divulgados pela Reuters.
Neste momento, os níveis de armazenamento estão abaixo dos registados na mesma altura do ano em 2022, quando a Europa procurava alternativas ao gás russo, após a invasão da Ucrânia.
Empresas como a norueguesa Equinor já alertaram para riscos na segurança de abastecimento energético, já que a Europa poderá enfrentar uma escassez crítica de gás caso as perturbações em Ormuz durem mais três meses.
O reabastecimento dos locais de armazenamento do gás europeu está mais lento do que nos anos anteriores devido à perda de envios de gás natural liquefeito (GNL) vindo do Qatar através do Estreito de Ormuz. As dificuldades de armazenamento também contribuíram para o aumento dos preços do GNL.
Os níveis de armazenamento na Europa estão em cerca de 38,2% da capacidade, abaixo da média habitual e muito longe da meta de 90% definida pela União Europeia para novembro deste ano. No entanto, segundo a Reuters, os preços do gás, atualmente em torno de 46 €/MWh, ainda não refletem totalmente o prémio de inverno.
O clima vem ainda acrescentar uma nova camada de incertezas para a Europa. As previsões apontam para um padrão climático El Niño, que poderá significar um inverno europeu mais ameno, o que permitirá uma redução na procura de aquecimento, mas também um verão mais quente e seco, o que agravaria a produção hidroelétrica, que também já está em pressão.
Na verdade, a produção hidroelétrica está no nível mais baixo da última década, graças ao fraco regime de neve no último inverno e à baixa reposição de água nos reservatórios, indica a Reuters. Isto é especialmente preocupante para os países nórdicos e da região dos Alpes, uma vez que dependem da hidroeletricidade flexível para responder à procura de pico no inverno.
Na Europa, a Península Ibérica é o único território com balanço positivo de energia hidroelétrica, devido às fortes precipitações do inverno passado. A Noruega e a Suécia são os países que apresentam os maiores défices no equilíbrio hidrológico.
“Os amortecedores que normalmente existiriam, nomeadamente reservatórios alpinos cheios, abundante hidroeletricidade nórdica e disponibilidade confortável de GNL, estão ausentes este ano”, afirmou Evan Kyritsis, analista da empresa suíça de energia Axpo, à Reuters.
A produção hidroelétrica é essencial para equilibrar a rede internacional quando os preços do gás sobem ou a produção renovável diminui. Durante a crise do gás de 2022, as limitações hidroelétricas agravaram a pressão sobre o sistema energético europeu e este ano as reservas baixas podem vir a ter um efeito semelhante.
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