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Descarbonização naval até 2050 representa “um enorme desafio” para empresas, declara secretário-geral do Fórum Oceano
A "construção naval portuguesa tem uma oportunidade na descarbonização, desde que esta seja realizada com estratégia de negócio, ou seja, agarrar nichos de mercado que tenham clientes e procura”, referiu Rúben Eiras na apresentação do RNCZ.
15 Dez 2025 - 17:46
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Secretário-geral do Fórum Oceano, Rúben Eiras | Foto: Fórum Oceano
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Secretário-geral do Fórum Oceano, Rúben Eiras | Foto: Fórum Oceano
O secretário-geral do Fórum Oceano, Rúben Eiras, disse nesta segunda-feira que a descarbonização do setor de construção e reparação naval até 2050 representa “um enorme desafio” para empresas, mas “abre novas oportunidades de negócio”.
“A indústria da construção naval portuguesa tem uma oportunidade na descarbonização, desde que esta seja realizada com estratégia de negócio, ou seja, agarrar nichos de mercado que tenham clientes e procura”, referiu o responsável.
O secretário-geral do Fórum Oceano, que juntamente com a Confederação Empresarial do Alto Minho (Ceval) elaboraram o Roteiro Naval Carbono Zero (RNCZ) para o setor da Construção, Reparação e Manutenção Naval (CRMN), apresentado neste dia em Viana do Castelo, referiu que para “passar à ação” na descarbonização “é preciso empenho e coragem para arrancar, mas com racionalidade”.
Rúben Eiras, apontou como metas do roteiro a aposta nos “sistemas de gestão de eficiência energética, sistemas de propulsão ‘dual-fuel’ e velas rígidas que começam a ter muita procura pelos armadores para integração nos navios”.
Adiantou ainda que a eletrificação e automação dos estaleiros navais ajudam a diminuir os custos de produção dos materiais.
A eficiência energética de matérias, energia renovável, substituição de combustíveis fósseis, eletrificação e digitalização são ações de descarbonização propostas no Roteiro Naval Carbono Zero (RNCZ).
O documento, aponta como barreiras à descarbonização na indústria naval, a falta de mão de obra qualificada, que segundo as empresas se deve à “perda de técnicos para setores concorrentes, agravada pela falta de formação”.
A burocracia e regulação, as infraestruturas e energia, devido às limitações de instalação de energia renovável, os problemas de financiamento bancário e a morosidade no pagamento de fundos públicos também obstaculizam a descarbonização.
Luís Ceia, presidente da Ceval, disse que o roteiro “é um documento estratégico que fazia falta ao ecossistema naval” e, que “vem colocar a “sustentabilidade na agenda”.
Luís Ceia alertou para a necessidade de “um equilíbrio entre a competitividade empresarial e a sustentabilidade, apelando a “agilização e simplificação e apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME) no processo de acesso das empresas aos fundos destinados a esta área”.
Na apresentação do roteiro, Gonçalo Santos, do Fórum Oceano, destacou que “em Portugal, que representa menos de 1% da produção mundial, cerca de 30 a 40% dos sete mil trabalhadores da indústria naval têm mais de 50 anos” o que se traduz, entre outros problemas, “no aumento do risco de acidentes de trabalho e retenção e atração de mão der obra qualificada”.
“É um problema muito grave. É difícil de conseguir mão de obra qualificada. A esmagadora maioria das empresas de construção naval são PME que têm dificuldades nesta área”, frisou.
A sessão pública de apresentação do roteiro, que ainda decorre, inclui mesas redondas, uma nacional e outra internacional, que juntaram a indústria, autoridades, academia e ‘clusters europeus’ no âmbito da Missão Inversa.
O roteiro foi apresentado ao “fim de cerca de ano e meio de análises, ‘workshops’ e sessões de auscultação por todo o país, que envolveram vários agentes do setor”.
A iniciativa visou articulação entre o conhecimento técnico produzido (diagnóstico, cenários, vetores de descarbonização e trajetórias) com o envolvimento de decisores públicos, indústria nacional, academia e ‘clusters’ europeus, criando um momento de validação, compromisso e mobilização para a implementação do roteiro até 2050.
O guia é cofinanciado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelos fundos NextGenerationEU.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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