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Descoberto mais um mineral que contém terras raras pesadas em Moçambique
O novo mineral foi identificado durante a campanha de perfuração de 2025 no vulcão inativo de Monte Muambe. A empresa responsável pelo investimento, Altona Rare Earths, acredita que a descoberta poderá aumentar o valor económico do projeto.
05 Jun 2026 - 16:01
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A Altona Rare Earths anunciou a descoberta de xenotime, mais um mineral que contém terras raras pesadas, na concessão de Monte Muambe, um vulcão inativo em Moçambique, admitindo a sua produção como subproduto da exploração já prevista de fluorite.
Numa informação aos mercados consultada nesta sexta-feira pela Lusa, a empresa diz que os dados da campanha de perfuração de 2025 naquela área, em Tete, centro do país, confirmam um enriquecimento generalizado de terras raras pesadas na zona de fluorite. Destaca ainda a identificação, pela primeira vez no projeto, de xenotime, um mineral portador de terras raras pesadas, num contexto de testes em curso, apontando para novas possibilidades de aproveitamento económico.
“O enriquecimento generalizado em terras raras pesadas associado à fluorite, combinado com a identificação, pela primeira vez, de xenotime em Monte Muambe, abre um caminho convincente para a produção destes elementos como subproduto da nossa operação de fluorite”, afirmou o diretor-executivo da empresa, Cedric Simonet, citado na informação.
Segundo a empresa, esta configuração permite recuperar um concentrado comercializável de terras raras pesadas durante o processamento da fluorite, com custos adicionais significativamente inferiores aos de uma operação dedicada, reforçando a viabilidade económica do projeto.
Nesse cenário, essa produção “poderá melhorar significativamente a proposta de valor do projeto e acrescentar uma quarta matéria-prima estratégica ao perfil já excecional de múltiplos recursos de Monte Muambe”, acrescentou Cedric Simonet, referindo-se às já identificadas terras-raras (REE), fluorite e gálio.
Esta atualização surge na sequência de dados divulgados em abril, que já indicavam uma concentração significativa de terras raras pesadas associadas ao minério de fluorite e gálio no mesmo projeto, com cerca de 3.200 partes por milhão de óxidos totais, dos quais aproximadamente 40% correspondem a elementos pesados.
A Altona tinha então referido que estas concentrações eram comparáveis às de projetos relevantes fora da Ásia, apontando para o potencial de desenvolvimento de um subproduto de elevado valor no âmbito da exploração de fluorite.
O projeto de Monte Muambe, detido pela Monte Muambe Mining (MMM), inclui recursos estimados de 13,6 milhões de toneladas com 2,42% de óxidos de terras raras, além de volumes relevantes de fluorite e gálio.
As terras raras pesadas são consideradas minerais críticos devido ao seu uso em tecnologias avançadas, incluindo ímanes de alto desempenho, eletrónica, dispositivos médicos e aplicações militares, sendo a produção mundial fortemente concentrada na China.
O Governo norte-americano assinou em 27 de fevereiro, em Maputo, uma subvenção de 1,875 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) para estudar a viabilidade de extração de terras raras naquela concessão em Tete, considerando-a vital para os interesses dos EUA.
A multinacional Altona Rare Earths já investiu desde 2021 quatro milhões de dólares (3,4 milhões de euros) em prospeção no projeto da MMM, tendo avançado entretanto o estudo de viabilidade financiado pela Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos da América (USTDA, na sigla em inglês).
“O projeto expandirá e fortalecerá o setor mineiro em Moçambique, impulsionará a sua economia e contribuirá para o desenvolvimento responsável dos recursos naturais de Moçambique”, afirmou então Abigail Dressel, que chefia a Embaixada dos EUA em Maputo, na qualidade de encarregada de negócios e que assinou este contrato de subvenção pela USTDA com a MMM, filial da Altona.
“Este, sem dúvida, é um projeto que traz benefícios tanto para os EUA como para Moçambique”, garantiu.
O monte Muambe é um vulcão inativo, com 780 metros de altura, situado a leste de Moatize, centro de Moçambique, tendo uma caldeira composta por carbonatitos, ricos em fluorita azul e amarela, que por sua vez contêm gálio.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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