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Confirmada forte concentração de terras raras em mina de vulcão inativo moçambicano
As terras raras pesadas, como o disprósio, o térbio e o ítrio, são consideradas minerais críticos devido ao seu uso em tecnologias avançadas, incluindo ímanes de alto desempenho, eletrónica, dispositivos médicos e aplicações militares.
15 Abr 2026 - 10:44
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Foto: MiningWatch Portugal via Unsplash
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Foto: MiningWatch Portugal via Unsplash
A empresa mineira Altona identificou uma concentração significativa de terras raras pesadas no minério de fluorite e gálio no Monte Muambe, um vulcão inativo no norte de Moçambique, admitindo que a descoberta reforça a valorização económica do projeto.
Numa informação divulgada aos mercados, e consultada pela Lusa, empresa refere que as análises realizadas indicam cerca de 3.200 partes por milhão de óxidos totais de terras raras, das quais aproximadamente 1.300 partes correspondem a terras raras pesadas, sendo um rácio de cerca de 40%.
A Altona Rare Earths refere que as concentrações agora identificadas no minério de fluorite e gálio são comparáveis às registadas no projeto Lofdal, na Namíbia, um dos mais relevantes projetos de terras raras pesadas fora da Ásia.
As terras raras pesadas, como o disprósio, o térbio e o ítrio, são consideradas minerais críticos devido ao seu uso em tecnologias avançadas, incluindo ímanes de alto desempenho, eletrónica, dispositivos médicos e aplicações militares, sendo a produção mundial fortemente concentrada na China.
Embora admite que são necessários estudos adicionais para avaliar a extensão, distribuição e viabilidade de recuperação destes elementos, a Altona afirma que a sua presença abre a possibilidade de desenvolvimento de um subproduto de elevado valor, a par do gálio, no âmbito do projeto de fluorite de Monte Muambe.
O Governo norte-americano assinou em 27 de fevereiro, em Maputo, uma subvenção de 1,875 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) para estudar a viabilidade de extração de terras raras em Tete, Moçambique, considerando-a vital para os interesses dos EUA.
Trata-se de um projeto da Monte Muambe Mining (MMM), num vulcão inativo naquela zona do centro de Moçambique, em que a multinacional Altona Rare Earths já investiu desde 2021 quatro milhões de dólares (3,4 milhões de euros) em prospeção, avançando agora o estudo de viabilidade financiado pela Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos da América (USTDA, na sigla em inglês).
“O projeto expandirá e fortalecerá o setor mineiro em Moçambique, impulsionará a sua economia e contribuirá para o desenvolvimento responsável dos recursos naturais de Moçambique”, afirmou Abigail Dressel, que chefia a Embaixada dos EUA em Maputo, na qualidade de encarregada de negócios e que assinou este contrato de subvenção pela USTDA com a MMM, filial da Altona.
“Apoiará o trabalho técnico inicial necessário para reduzir riscos e, em última análise, atrair financiamento para o desenvolvimento desta mina de terras raras em Moçambique, o projeto mais avançado do seu tipo no país. O objetivo do USTDA e do Governo dos EUA é ligar a MMM a compradores norte-americanos de minerais críticos e promover a utilização da exportação dos EUA na expansão da instalação”, disse.
“Este, sem dúvida, é um projeto que traz benefícios tanto para os EUA como para Moçambique”, garantiu.
O administrador da MMM e diretor-executivo da Altona, Cedric Simonet, que assinou o acordo, explicou que a subvenção permitirá realizar “trabalhos extensos de metalurgia e de engenharia de processos”.
Garantiu que o apoio abre portas a acrescentar uma terceira instalação no distrito de Moatize, província de Tete, para separação destes minérios, adicionando a capacidade de produção local e não apenas exportação.
“A adição de valores no país e regionalmente é um dos pilares fundamentais da política de responsabilidade social e corporativa de MMM e permanecerá no centro dos nossos esforços de desenvolvimento. Além das terras raras, outros minerais ocorrem no monte Muambe, e incluindo fluorite e gálio”, disse Simonet.
O monte Muambe é um vulcão inativo, com 780 metros de altura, situado a leste de Moatize, centro de Moçambique, tendo uma caldeira composta por carbonatitos, ricos em fluorita azul e amarela, que por sua vez contêm gálio.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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