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Empresas dos EUA continuam a captar investimento para tecnologias verdes enquanto Trump trava políticas climáticas

Investidores privados reforçam apostas em energia, água e alimentação resilientes, apesar do recuo climático da Casa Branca.

17 Mai 2026 - 14:46

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

A nova ronda de candidaturas do fundo Decarbon8-US revela um contraste cada vez mais evidente nos EUA: enquanto o presidente Donald Trump trava políticas climáticas e financiamento federal para as energias limpas, investidores privados continuam a canalizar milhões para tecnologias ligadas à transição energética e à resiliência climática.

O fundo Decarbon8-US, criado pela comunidade de investidores E8 e que desde 2020 já mobilizou 9,2 milhões de euros, abriu novas candidaturas para start-ups focadas em soluções para redes elétricas resilientes, segurança hídrica e sistemas alimentares adaptados às alterações climáticas. Cada empresa selecionada poderá receber, em média, cerca de 264 mil euros (300 mil dólares) em financiamento combinado e coinvestimento privado.

O movimento acontece num momento em que os EUA vivem um ambiente político contra a agenda climática, onde o próprio presidente promove cortes em incentivos à energia limpa, investigação climática e programas federais de sustentabilidade.

“A resiliência climática exige tanto do nosso capital, criatividade e compromisso como a mitigação das alterações climáticas”, afirma Marina Psaros, gestora do Decarbon8-US. “O Decarbon8 está focado em encontrar e apoiar inovadores que estão a reforçar os sistemas de energia, água e alimentação dos quais as pessoas dependem todos os dias”, acrescenta.

Recorde-se que, desde que regressou à Casa Branca, a administração norte-americana acelerou medidas favoráveis à indústria fóssil e iniciou processos para reverter regulações ambientais implementadas nos últimos anos.

Apesar disso, o mercado parece seguir numa direção diferente da política federal.

Fundos de capital de risco, investidores institucionais e grandes grupos tecnológicos continuam a considerar inevitável a transição energética, sobretudo em áreas críticas como armazenamento de energia, estabilidade das redes elétricas, gestão de água e segurança alimentar. Para muitos investidores, a questão deixou de ser ideológica e passou a ser estratégica: fenómenos climáticos extremos, pressão sobre recursos naturais e aumento da procura energética, liderada pelos inteligência artificial e centros de dado, estão a criar novas oportunidades de negócio e necessidades de infraestrutura consideradas inevitáveis.

O próprio Decarbon8 apresenta-se como um exemplo dessa tendência. Desde 2020, o fundo já mobilizou cerca de 9,2 milhões de euros em investimento filantrópico e privado para empresas climáticas em fase inicial.

 

 

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