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Europa quer alinhar inteligência artificial com metas ambientais
Relatórios da Agência Europeia do Ambiente alertam que a digitalização pode acelerar a transição ecológica ou agravá-la sem políticas adequadas.
06 Mai 2026 - 18:07
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Foto: Freepik
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As tecnologias digitais podem melhorar a recolha e análise de dados ambientais, tornar processos industriais mais eficientes, permitir sistemas energéticos e de transporte mais inteligentes e garantir maior eficiência no uso de recursos. Estes são alguns dos benefícios que a digitalização e a inteligência artificial (IA) podem proporcionar, se estiverem alinhados com os objetivos de sustentabilidade, assinala a Agência Europeia do Ambiente (AEA), com base em dois novos relatórios.
Nos mercados de consumo, a IA tem ainda potencial para moldar escolhas, ao dar melhor informação sobre produtos e serviços, e ao longo das cadeias de valor pode também ajudar a otimizar cadeias de abastecimento e logística, acrescenta a AEA.
Porém, a AEA alerta que o impacto da inteligência artificial e da digitalização não é automaticamente positivo. Nomeadamente, a IA e a digitalização estão a transformar o funcionamento das economias, as decisões de consumo e a organização das cadeias de valor. Porém, sem uma orientação política clara, estas mudanças podem aumentar a procura de energia e materiais, reforçar modelos de negócio intensivos em recursos, aprofundar dependências estratégicas e agravar desigualdades sociais, sublinha a agência.
Os relatórios evidenciam ainda que os ganhos de eficiência, por si só, dificilmente serão suficientes para reduzir a pressão ambiental global. A expansão acelerada dos centros de dados, por exemplo, está a impulsionar um aumento significativo no consumo de energia, água e matérias-primas críticas, contribuindo para uma pegada ambiental crescente.
“Sem uma orientação política clara, estas mudanças correm o risco de aumentar a procura de energia e materiais, reforçar modelos de negócio intensivos em recursos, aprofundar dependências estratégicas e agravar desigualdades sociais”, refere a AEA.
Num contexto de crescente competição geopolítica, estas tecnologias são cada vez mais vistas como essenciais para a competitividade e autonomia estratégica da Europa. Ainda assim, a AEA defende que a chamada “dupla transição”, a ecológica e a digital, exige decisões políticas deliberadas sobre a forma como a inovação é orientada e regulada.
Nesse sentido, considera fundamental garantir um maior alinhamento entre políticas digitais, medidas relacionadas com o consumo e objetivos ambientais, de forma a assegurar que a transformação digital contribui efetivamente para a neutralidade climática.
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