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Renováveis geram 5,3 mil milhões para o PIB e permitem poupança até 636 euros por família
Estudo da APREN confirma setor como pilar da economia e destaca potencial de crescimento superior a 370% até 2040, caso sejam ultrapassados entraves estruturais.
06 Mai 2026 - 15:00
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Foto: Adobe stock/InfiniteFlow
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O setor das energias renováveis contribuiu com 5,34 mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) português em 2024, segundo o “Estudo de impacto das energias renováveis em Portugal”, divulgado nesta quarta-feira pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, em parceria com a EY-Parthenon.
O valor representa mais de 1% da economia nacional e coloca o setor ao nível de indústrias tradicionais como o agroalimentar. Este valor reflete uma transformação estrutural do setor, com destaque para a energia eólica e hídrica, responsáveis por mais de 80% do impacto direto, destaca a APREN.
O relatório sublinha ainda o impacto das renováveis na redução dos custos energéticos, estimando uma poupança acumulada de 42 mil milhões de euros no mercado elétrico desde 2018. Este efeito traduziu-se numa redução da fatura anual das famílias em até 636 euros e das empresas em mais de 63 mil euros.
Em termos prospetivos, o estudo aponta para um potencial de crescimento significativo: o contributo das renováveis para o PIB poderá aumentar mais de 370% até 2040, atingindo 32,2 mil milhões de euros por ano. No entanto, este cenário depende da superação de vários desafios estruturais, nomeadamente no licenciamento, no reforço das redes elétricas e na expansão da capacidade de armazenamento de energia.
Além do impacto macroeconómico, o setor tem registado uma “evolução expressiva” em indicadores-chave como o emprego, a qualificação e a contribuição fiscal. O número de postos de trabalho nas energias renováveis cresceu 224% desde 2014 e 121% entre 2021 e 2024, refletindo a rápida expansão do setor em Portugal, assinala a associação.
Este crescimento tem sido acompanhado por uma valorização das remunerações acima do ritmo de criação de emprego, “sinalizando uma crescente especialização e qualificação da força de trabalho, associada a atividades de maior valor acrescentado ao longo da cadeia, desde o desenvolvimento de projetos à operação e manutenção de infraestruturas”, explica a APREN. Na análise a 2040, prevê-se um crescimento de mais de 400% no emprego do setor e de 29% do salário médio.
Também ao nível fiscal, o contributo do setor tem vindo a ganhar peso. Só entre 2023 e 2024, a receita de IRS associada às energias renováveis cresceu 17%, sendo que, num cenário de desenvolvimento favorável, este impacto poderá aumentar cerca de 500% até 2040, acompanhando o crescimento esperado da atividade económica do setor.
“Os resultados deste estudo mostram que as energias renováveis são hoje um ativo estratégico. Não apenas pela resposta às alterações climáticas, mas pelo seu impacto direto na economia, no emprego e no rendimento das famílias. O potencial de crescimento até 2040 é claro e pode posicionar o setor como um verdadeiro ‘novo turismo’ da economia nacional”, refere Susana Serôdio, coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, acrescentando, no entanto, que “esse futuro não é garantido: exige decisões políticas, simplificação de processos e investimento estruturante para que Portugal não perca esta oportunidade”.
De salientar ainda que, a par dos benefícios económicos, o setor desempenha um papel determinante na redução das emissões de gases com efeito de estufa e na diminuição da dependência energética do exterior, dois eixos centrais da transição energética.
Segundo o relatório, nos últimos anos, a produção renovável evitou a compra de combustíveis fósseis nos mercados internacionais, gerando uma poupança média anual de cerca de 2,4 mil milhões de euros. A APREN frisa também o papel das renováveis na segurança energética do país, num contexto internacional marcado pela volatilidade dos preços e pela instabilidade geopolítica.
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