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Engie constrói central de biometano no norte de Inglaterra com contrato de fornecimento à PepsiCo
Investimento de 70 milhões de libras visa produzir 60 GWh por ano e reduzir emissões da multinacional em mais de 10.900 toneladas anuais. É o primeiro acordo do género no setor alimentar britânico.
26 Jan 2026 - 11:35
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Foto: Engie
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Foto: Engie
A francesa Engie anunciou a construção de uma instalação de digestão anaeróbica no norte de Inglaterra, após a assinatura de um contrato de fornecimento de biometano de dez anos com a PepsiCo UK. O acordo, pioneiro na indústria alimentar e de bebidas do Reino Unido, prevê o fornecimento de 60 GWh anuais de gás verde à cadeia de abastecimento da multinacional norte-americana a partir de 2027, quando a central entrar em funcionamento.
O investimento, que ascende a 70 milhões de libras (mais de 80 milhões de euros), deverá permitir uma redução de emissões de CO₂ superior a 10.900 toneladas por ano. A quantidade de biometano produzida equivale ao consumo anual de gás de mais de 5 mil habitações.
A Engie já opera quatro centrais de digestão anaeróbica no sudoeste de Inglaterra, que injetam anualmente mais de 210 GWh de biometano na rede nacional. Com este novo projeto, o grupo energético reforça a posição no mercado britânico e aproxima-se do objetivo de atingir 10 TWh de capacidade anual de produção de biometano na Europa.
A vice-presidente executiva da Engie responsável pelas atividades de Redes, Cécile Prévieu, enquadrou o acordo na estratégia do grupo de acelerar o desenvolvimento do biometano através de contratos de longo prazo, considerando-os “essenciais para a soberania energética da Europa e a descarbonização da sua economia”.
As instalações da Engie no Reino Unido são alimentadas por matérias-primas de origem local, nomeadamente resíduos agrícolas e culturas de rotação, numa lógica de economia circular que permite aos agricultores obter uma fonte regular de rendimento. O digestato resultante do processo é fornecido aos produtores como fertilizante orgânico.
O biometano, produzido através da digestão anaeróbica de resíduos orgânicos, é uma alternativa renovável ao gás natural que não exige adaptações técnicas nas redes ou equipamentos existentes. A sua utilização reduz as emissões de carbono em pelo menos 80% comparativamente ao gás natural, considerando a análise do ciclo de vida completo, de acordo com dados partilhados pela Engie em comunicado.
A responsável pela sustentabilidade da PepsiCo UK, Sian Hamson, sublinhou que o biometano será “uma alavanca fundamental” na estratégia de descarbonização da empresa. Já o ministro da Segurança Energética e Net Zero do governo britânico, Lord Whitehead, destacou o impacto do investimento no crescimento económico regional e no objetivo de produção interna de energia limpa.
Atualmente, a Engie opera 1,2 TWh de capacidade anual de produção de biometano em 42 locais distribuídos por França, Inglaterra, Bélgica e Países Baixos, fornecendo mais de 7 TWh de soluções de gás verde aos clientes. A ambição do grupo passa por aumentar esse fornecimento para 30 TWh até 2030.
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