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Famílias portuguesas desperdiçam diariamente mil toneladas de alimentos, alerta ZERO
Estudo da associação revela que, mesmo com recolha seletiva, restos alimentares continuam a ser descartados em aterros, e propõe medidas para reduzir o desperdício em municípios e empresas.
30 Mar 2026 - 11:03
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Foto: Freepik
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No Dia Internacional do Resíduo Zero, celebrado nesta segunda-feira, a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável divulga que o desperdício alimentar em Portugal atinge proporções elevadas. Um estudo recente da organização estima que as famílias portuguesas descartam diariamente cerca de mil toneladas de alimentos, um volume que representa não apenas um desperdício económico, mas também um fardo ambiental significativo.
O estudo, desenvolvido no Município de Ourique, baseou-se na análise de resíduos indiferenciados de três bairros, totalizando 150 habitações e dois estabelecimentos do setor HORECA (hotéis, restaurantes e cafés). Os resultados evidenciam que 51% do lixo indiferenciado analisado eram biorresíduos, dos quais 28% correspondem a desperdício alimentar, como alimentos cozinhados, frutas, legumes e pão ainda em embalagens. Esta proporção equivale a mais de 12 toneladas de alimentos desperdiçados apenas nos bairros estudados ao longo de um ano.
Extrapolando os dados de Ourique para a realidade nacional, a ZERO estima um desperdício anual de 376 mil toneladas, cerca de mil toneladas por dia, ou perto de 38 kg por habitante, evidenciando a dimensão ética, ambiental e económica do problema. A associação sublinha que os resultados são “uma pequena amostra” e adimite que possam existir variações entre comunidades locais e entre diferentes municípios.
No entanto, a associação projeta que “uma cidade de 100 mil habitantes poderá gerar 3.760 toneladas de alimentos desperdiçados que, em vez de serem consumidos por quem os adquiriu ou serem doados aos setores mais carenciados, terminam em unidades de tratamento de resíduos ou, mais frequentemente, depositados em aterro”.
O trabalho, desenvolvido em colaboração com o Município de Ourique, no âmbito do programa de certificação Zero Waste Cities, analisou os resíduos indiferenciados de três circuitos porta-a-porta do concelho, mediante uma amostra total de 250 kg, recolhida em dois momentos ao longo de um ano.
Para combater esta realidade, a ZERO propõe um conjunto de medidas alinhadas com a abordagem Resíduo Zero. Entre elas estão programas de racionalização e sensibilização em escolas e mercados municipais, incentivo à doação de alimentos, eliminação de padrões estéticos na venda de produtos agrícolas e a implementação de planos de combate ao desperdício em empresas.
“O caso do Município de Ourique mostra que, mesmo quando existe recolha seletiva dos biorresíduos e soluções adequadas de tratamento é fundamental conhecer a composição dos resíduos indiferenciados do município”, conclui a associação, em comunicado.
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