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Galp mantém foco na fusão de ativos com a Moeve em ano “desafiante”
Petrolífera garante que conflito no Médio Oriente “não prejudicou de forma alguma” a execução das iniciativas estratégicas em curso.
27 Abr 2026 - 13:31
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A Galp prevê que 2026 seja um ano “desafiante, mas também bastante entusiasmante”, mantendo os planos de exploração na Namíbia e a negociação da fusão de ativos com a Moeve, antiga Cepsa.
Na conferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre, a copresidente executiva Maria João Carioca afirmou que a petrolífera continua a gerir “a atual volatilidade do mercado e as perturbações no abastecimento” devido ao conflito no Médio Oriente, mas sublinhou que isso “não prejudicou de forma alguma” a execução das iniciativas estratégicas em curso.
A Galp indicou que não pretende rever já as previsões anuais, apesar da alteração do cenário macroeconómico. Maria João Carioca reconheceu que o enquadramento que sustentava as previsões anteriores “já não se mantém”, mas defendeu que a situação continua marcada por “elevada volatilidade” e “demasiadas variáveis em movimento”.
“Não consideramos que este seja o momento para fixar um novo ‘guidance’”, afirmou, acrescentando que uma atualização poderá ocorrer com a publicação dos resultados do segundo trimestre.
“Continuamos a procurar executar com ritmo e disciplina”, afirmou Maria João Carioca, adiantando que na Namíbia “as atividades de ‘procurement’ [processos de contratação e aquisição de bens e serviços] estão a avançar”, o que permite “manter o objetivo de iniciar as atividades de perfuração da próxima campanha de exploração e avaliação no quarto trimestre”.
“No geral, 2026 está, de facto, a configurar-se como um ano desafiante, mas também bastante entusiasmante para a Galp”, afirmou.
Mais à frente, questionada novamente sobre a Namíbia e o calendário de desenvolvimento, referiu que, “no que diz respeito à parceria, o processo está a avançar a bom ritmo”.
A co-CEO explicou que “um dos passos críticos” dizia respeito aos direitos de preferência, cujo prazo já terminou, acrescentando que “não foram exercidos direitos de preferência”.
“Neste momento, estamos apenas a aguardar pelas autoridades locais”, afirmou, indicando que a Galp espera que a aprovação governamental chegue “tão rapidamente quanto as autoridades considerem viável”.
No que toca às discussões com os acionistas da Moeve sobre a fusão de alguns ativos, a Galp indicou que “continuam a evoluir positivamente”, mantendo-se a expectativa de “um potencial acordo até meados do ano”.
Questionado sobre a combinação com a Moeve, o co-presidente executivo João Diogo Marques da Silva afirmou que a operação dará à Galp “escala adicional” e “ativos complementares”, embora tenha sublinhado que ainda é “muito cedo” para detalhar impactos.
Uma das mais-valias desta combinação poderá estar relacionada com combustível sustentável para aviação, conhecido pela sigla inglesa SAF. “Estamos a pensar na unidade de produção de SAF que temos vindo a construir nos últimos anos, tanto nós como a Moeve”, afirmou João Diogo Marques da Silva.
“Esse é um ativo muito importante a considerar em termos de sinergias”, acrescentou o gestor, apontando também para potenciais ganhos em logística, cadeia de abastecimento, eficiência nas paragens programadas e energia.
A empresa destacou ainda que a dívida líquida se manteve estável. Segundo Maria João Carioca, o desempenho operacional “sólido” do trimestre refletiu-se na demonstração de resultados e reforçou “a robusta posição financeira da Galp”.
João Diogo Marques da Silva afirmou, por sua vez, que a empresa está a acompanhar “de perto os desenvolvimentos” nos mercados internacionais, num contexto em que “o impacto pode ser sentido a nível global”.
A Galp fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro ajustado de 272 milhões de euros, uma subida de 41% face ao período homólogo, sustentada pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e dos preços do Brent.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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