4 min leitura
Indústria do plástico pede menos burocracia para acelerar transição sustentável
Especialistas defendem modelos de negócio inovadores, políticas consistentes e financiamento simplificado como chaves para a resiliência do setor no Plastics Summit – Global Event 2025.
06 Out 2025 - 14:01
4 min leitura
- Reciclagem de embalagens recua no arranque de 2026 apesar de maior investimento no setor
- UE precisa de 15% do gado em pastoreio para manter habitats protegidos
- Álvaro Mendonça e Moura é candidato único à presidência da Confederação dos Agricultores de Portugal
- Pirenéus perdem três dias de geada e aumentam cinco dias de verão por década
- Investimento nas redes elétricas dispara na Europa e pode atingir 47 mil ME até 2027
- ISO atualiza norma de gestão ambiental mais utilizada no mundo
Simplificar a regulamentação, reduzir barreiras ao investimento e valorizar o plástico reciclado foram as principais propostas do painel de abertura da Plastics Summit – Global Event 2025, organizada pela Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP), a decorrer, nesta segunda-feira, em Lisboa. Líderes empresariais, políticos e especialistas internacionais sublinharam que a resiliência do setor depende de um equilíbrio entre inovação, políticas eficazes e acesso a financiamento verde.
Na Feira Internacional de Lisboa, o presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, iniciou a cerimónia com um ponto de vista que seria central no painel seguinte. “Os plásticos precisam de um melhor modelo de negócio” e Portugal, em concreto, deve encarar “menos burocracia e barreiras para o investimento” neste setor.
Já no painel “Indústria Resiliente e Gestão Integrada”, a coordenadora comercial europeia da Veolia, Margaux Bares, corroborou, referindo que o maior desafio é económico, ao explicar que continua a ser mais caro produzir plástico reciclado em escala do que o material virgem.
Já o antigo ministro do Ambiente e Ação Climática português, Duarte Cordeiro, defendeu três pontos chave para a resiliência desta indústria: políticas consistentes em torno das energias renováveis, de modo a atrair investidores; taxas ambientais inteligentes para reconhecer a transição; e igualar os requisitos de produtos importados aos europeus.
Do lado do setor bancário, a diretora de Sustentabilidade do Santander Portugal, Cristina Antunes, frisou que os bancos precisam de saber o que é que estão a financiar. Para isso, propôs que existam nas empresas estratégias que valorizem “dados confiáveis, um reporte consistente e a validação externa”. Acrescentou que as diferentes entidades integrem planos para transição limpa no seu modus operandi.
A vice-presidente do grupo EPP, Lídia Pereira, reforçou que é fundamental simplificar a regulação e fortalecer o financiamento a nível da União Europeia. Nesta lógica, Duarte Cordeiro, disse que “escrever políticas é fácil, o desafio está na execução”, isto é, os decisores políticos devem focar-se em “desenhar mercados e não apenas normas”.
A baixa qualidade e acesso a materiais reciclados são algumas das barreiras expostas pelo antigo ministro, bem como a competição injusta presente no mercado europeu face a outras geopolíticas globais. A administração pública “deve ser o motor de mudança para criar mercados verdes” e “a economia circular também é política industrial”, reiterou.
O economista-chefe da Associação Americana da Indústria de Plásticos (PLASTICS), Perc Pineda, neste sentido, explicou que embora exista uma barreira nas trocas comerciais, a verdade é que as exigências europeias têm incentivado as empresas norte-americanas a implementar escolhas mais sustentáveis nas suas estratégias de negócio.
A entidades que apliquem as medidas ESG são até seis vezes mais prováveis de superar as suas empresas pares, explicou a parceira ESG da KPMG Espanha, Jerusalem Hernandez Velasco.
A sustentabilidade deve ser “um sistema integrado” e não um bónus para as empresas, realçou a vice-presidente do Programa de Redes da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, Maria Cortés Puch, ao apelar à seguinte reflexão: “Nas empresas há muitas práticas que são legais, mas serão éticas?”.
No panorama social, a presidente da Women in Plastics Italy, Miriam Olivi, referiu ser fulcral treinar os jovens talentos, com igualdade de oportunidades que fomentem o crescimento e alimentam a resiliência do setor. “Um sistema que valorize todas as vozes é mais inovador”, destacou.
O presidente da CIP sublinhou que não está em cima da mesa o fim do plástico, mas um ciclo de vida mais sustentável para este material. “Podemos ser todos parte da mudança”, apelou ao referir que as empresas portuguesas já estão abertas a isso e que “este evento é a prova” disso.
- Reciclagem de embalagens recua no arranque de 2026 apesar de maior investimento no setor
- UE precisa de 15% do gado em pastoreio para manter habitats protegidos
- Álvaro Mendonça e Moura é candidato único à presidência da Confederação dos Agricultores de Portugal
- Pirenéus perdem três dias de geada e aumentam cinco dias de verão por década
- Investimento nas redes elétricas dispara na Europa e pode atingir 47 mil ME até 2027
- ISO atualiza norma de gestão ambiental mais utilizada no mundo