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Investigadores transformam bio-alcatrão em recurso sustentável
Entre potenciais aplicações estão o tratamento de águas contaminadas, o fabrico de supercondensadores para armazenar energia renovável, o uso como catalisador em processos industriais e até a produção de combustíveis mais limpos.
08 Out 2025 - 08:29
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Foto: Freepik
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Um subproduto poluente e espesso, que há décadas representa um desafio para a produção de energia renovável, pode em breve ganhar nova vida. Um grupo de cientistas descobriu uma forma de transformar o bio-alcatrão, um resíduo gerado durante a queima de biomassa, num material com elevado valor económico e ambiental.
O bio-alcatrão, produzido quando resíduos agrícolas, madeira ou outras matérias orgânicas são aquecidos para gerar energia limpa, tem sido um dos grandes entraves do setor. Entope tubagens, danifica equipamentos e liberta substâncias nocivas se for emitido para a atmosfera. Agora, investigadores da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas propõem convertê-lo em bio-carbono, um novo material com aplicações que vão da purificação de água ao armazenamento de energia.
Segundo o estudo, publicado na revista Biochar, o processo baseia-se em reações químicas que permitem transformar compostos ricos em oxigénio em estruturas de carbono mais estáveis. Ao controlar fatores como a temperatura e o tempo de reação, é possível produzir bio-carbono com propriedades específicas.
Este novo material distingue-se do biochar tradicional: tem maior teor de carbono, menos impurezas e estruturas que o torna adequado para utilizações avançadas. Entre as potenciais aplicações estão o tratamento de águas contaminadas, o fabrico de supercondensadores para armazenar energia renovável, o uso como catalisador em processos industriais e até a produção de combustíveis mais limpos.
Além das vantagens ambientais, os investigadores apontam benefícios económicos. A substituição do carvão por bio-carbono poderia evitar a emissão de milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, enquanto gera novas fontes de receita para as centrais de biomassa.
Contudo, há obstáculos a ultrapassar. A complexidade química do bioalcatrão dificulta o controlo do processo, e a produção em larga escala ainda não foi concretizada. A equipa defende o recurso a simulações e inteligência artificial para aperfeiçoar as reações e desenhar bio-carbonos com funções específicas.
“A polimerização do bio-alcatrão não se trata apenas de gestão de resíduos – representa uma nova fronteira na criação de materiais de carbono sustentáveis”, sublinha Yuxuan Sun, um dos autores do estudo.
A investigação aponta assim uma via promissora para converter um dos maiores problemas da bioenergia numa oportunidade para a economia verde.
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