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Investimento global em combustíveis limpos terá de quadruplicar até 2030 para cumprir ambições globais
Fórum Económico Mundial prevê que o investimento global em combustíveis limpos poderá ultrapassar os 100 mil milhões de dólares anuais até 2030. Encontro anual de líderes em Davos arranca nesta segunda-feira.
19 Jan 2026 - 13:33
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O investimento global em combustíveis limpos terá de quadruplicar até 2030 para cumprir as ambições globais nesta área, de acordo com um novo relatório do Fórum Económico Mundial (FEM). A análise sugere que o investimento global em combustíveis limpos poderá aumentar de cerca de 25 mil milhões de dólares atualmente para mais de 100 mil milhões de dólares por ano até 2030, impulsionado por nova procura e pelas ambições dos governos.
Por combustíveis limpos são considerados biocombustíveis líquidos, biogás, combustíveis fósseis com baixo teor de carbono, combustíveis sintéticos e outros derivados do hidrogénio.
Destacando o potencial do setor para estimular o crescimento do emprego e diversificar o abastecimento energético, o relatório apresenta medidas de política, negócio e financiamento capazes de transformar objetivos globais em projetos credíveis e economicamente viáveis, na altura em que líderes mundiais se reúnem em Davos, na Suíça, para discutir o estado do mundo, entre 19 a 23 de janeiro.
O FEM indica que os combustíveis limpos podem reforçar a segurança energética e os objetivos de desenvolvimento económico, estimulando duas a três vezes mais empregos do que os setores de combustíveis convencionais, ao mesmo tempo que diversificam as fontes nacionais de energia. Segundo os analistas, políticas baseadas no desempenho, financiamento com partilha de riscos e compromissos antecipados de procura podem gerar retornos económicos viáveis, necessários para desbloquear investimentos.
“Os combustíveis limpos representam um importante caminho para avançar na sustentabilidade, continuando simultaneamente a fornecer a energia necessária ao sistema económico global”, afirma Roberto Bocca, diretor do Centro de Energia e Materiais do Fórum Económico Mundial, em comunicado. “A nossa nova investigação mostra que a indústria dos combustíveis limpos pode basear-se na infraestrutura existente para gerar benefícios ambientais duradouros juntamente com valor económico”.
Os combustíveis limpos, desde os biocombustíveis, aos derivados do hidrogénio e aos combustíveis fósseis com menor intensidade carbónica, representam atualmente 56% da energia global, segundo o FEM, estando a emergir como um componente-chave da transição energética, oferecendo aos países uma forma de reforçar a segurança energética, apoiar empregos industriais e rurais e reduzir emissões nos transportes e na indústria.
Combustíveis limpos: 1% do investimento em energia limpa
Embora os combustíveis limpos representem atualmente pouco mais de 1% do investimento global em energia limpa, a ambição está a crescer, refletida em iniciativas como o compromisso “Belém 4x”, através do qual mais de 25 países se comprometeram, na COP30, a quadruplicar a produção e utilização até 2035. O relatório observa que alcançar esta ambição exigirá uma ação coordenada entre políticas públicas, financiamento e indústria, de modo a desenvolver um maior pipeline de projetos viáveis que ofereçam retornos aos investidores e valor a longo prazo para as economias nacionais.
“Nos últimos anos, a questão entre os líderes empresariais do setor evoluiu de ‘devemos investir?’ para ‘como e quando investir?’”, afirma Cate Hight, sócia da área de Energia e Recursos Naturais da Bain & Company, consultora que colaborou na laboração do relatório. “Concluímos que aqueles que conseguem gerar valor estão a repensar a forma de abordar os projetos, focando-se nos clientes, adotando flexibilidade e parcerias, e mitigando o risco do investimento”.
No entanto, o FEM observa que, apesar do interesse crescente, muitos projetos de combustíveis limpos continuam a enfrentar dificuldades para avançar devido a elevados custos iniciais, procura incerta, cadeias de valor fragmentadas e ambientes de política regional desiguais. “Superar estes obstáculos exigirá políticas previsíveis e baseadas no desempenho, mecanismos de partilha de riscos público-privados bem concebidos e uma colaboração mais estreita ao longo das cadeias de valor, de forma a alinhar melhor a oferta e a procura. Estas abordagens serão essenciais para ajudar mais projetos a atingir a fase de investimento e para construir um pipeline estável de oportunidades comercialmente viáveis e adaptadas às realidades regionais”, defende o FEM.
A análise do relatório baseia-se em modelação técnica e económica, consultas a especialistas e contributos de mais de 30 organizações que participam na iniciativa ‘Future of Clean Fuels’ do Fórum Económico Mundial.
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