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Investimento na natureza pode gerar até 9,3 biliões de euros em receitas empresariais anuais
Metade do PIB global depende da natureza, mas a maioria dos investimentos continua a fluir para atividades que degradam os ecossistemas. Agricultura de precisão, cimento sustentável e reciclagem de baterias entre as oportunidades de investimento identificadas pelo Fórum Económico Mundial.
18 Mar 2026 - 16:15
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Foto: Adobe Stock/LIGHTFIELD STUDIOS
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Mais de 50 oportunidades de investimento poderão transformar fluxos de capital em práticas empresariais lucrativas e positivas para a natureza, contribuindo com até 9,3 biliões de euros em receitas empresariais anuais e poupanças de custos até 2030, segundo um novo relatório do Fórum Económico Mundial (FEM) publicado nesta terça-feira.
Com base na análise de aproximadamente 250 atividades empresariais, o relatório “50 Oportunidades de Investimento para uma Nova Economia da Natureza” identifica áreas de investimento em 13 setores de elevado impacto, com o objetivo de travar e reverter a perda de natureza até 2030.
A análise, desenvolvida em colaboração com a Oliver Wyman, destaca também como o desalinhamento entre riscos relacionados com a natureza e fluxos de capital representa um risco económico sistémico crescente e uma oportunidade comercial significativa perdida para as empresas.
Isto ocorre numa altura em que os fluxos globais de capital permanecem profundamente desalinhados. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP, na sigla em inglês), estima-se que cerca de 6,7 biliões de euros continuam a ser investidos anualmente em atividades que degradam os ecossistemas, em comparação com aproximadamente 202 mil milhões de euros investidos em soluções baseadas na natureza. As 50 oportunidades identificadas no relatório oferecem abordagens que geram receitas e poupam custos para colmatar esta lacuna, refere o FEM.
Tal como aconteceu com o Acordo de Paris no que diz respeito às metas climáticas, a comunidade internacional está a ficar aquém dos objetivos de biodiversidade, destacando a análise do FEM que são necessárias estratégias inovadoras para cumprir a meta de travar e reverter a perda de natureza até 2030. “Precisamos de transitar para um sistema económico que gere prosperidade dentro dos limites do planeta”, afirma Sebastian Buckup, diretor-geral do Fórum Económico Mundial. “As indústrias, incluindo o setor financeiro, irão fazê-lo não apenas como uma questão de responsabilidade social corporativa ou investimento de impacto, mas porque faz sentido do ponto de vista empresarial”, acrescenta.
De risco a oportunidade
À medida que as empresas enfrentam uma maior exposição à escassez de água, degradação dos solos, poluição e regulamentação ambiental mais exigente, os riscos relacionados com a natureza deixam de ser preocupações abstratas de sustentabilidade e passam a ser questões financeiras concretas que afetam a rentabilidade a longo prazo.
Entre as atividades mais promissoras para investimento identificadas pelo FEM estão a agricultura de precisão, o betão sustentável, reciclagem de baterias e a gestão industrial da água. Soluções que, segundo o FEM, reduzem a pressão sobre a terra, a água e os recursos, ao mesmo tempo que geram crescimento de receitas, poupanças de custos e mitigação de riscos.
O papel das instituições financeiras
O FEM aponta as instituições financeiras como catalisadoras destas soluções, fornecendo o capital necessário para que as empresas invistam em novos processos de produção e infraestruturas. Podem também reduzir o risco através de instrumentos como empréstimos ligados à sustentabilidade, garantias ou financiamento combinado, ajudando materiais inovadores a chegar ao mercado mais rapidamente, refere o FEM.
O relatório define cinco ações prioritárias para mobilizar capital para oportunidades positivas para a natureza. Devem, pra isso, reforçar o conhecimento interno sobre a natureza, inovar produtos financeiros, criar parcerias, melhorar a utilização de dados e integrar a natureza nas decisões estratégicas.
O FEM finaliza referindo que “reorientar os fluxos de capital para investimentos que protejam a biodiversidade e gerem retorno financeiro é essencial para salvaguardar os sistemas naturais que sustentam a economia global”.
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