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Javad Hatami: Muitas empresas, sobretudo as pequenas, “ainda não sabem o que ESG significa”
CEO da Builtrix, start-up que usa ‘machine learning’ para prever consumos de eletricidade, água e gás nos edifícios, vê as empresas a avançar lentamente sob pressões regulatórias.
01 Dez 2025 - 20:53
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Foto: Builtrix
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Foto: Builtrix
O fundador e CEO da Builtrix, Javad Hatami, chegou a Portugal em 2011 para estudar no Instituto Superior Técnico. Depois de concluir o doutoramento, partiu para a Alemanha para trabalhar numa ‘venture builder’ e aprender “como o mundo do empreendimento, start-ups e produtos funciona”. Voltaria a Portugal pouco tempo depois para lançar o seu primeiro negócio.
A motivação, diz, vem de sempre. “Eu sempre quis fazer algum tipo de trabalho ou algumas coisas que ajudem não apenas o nosso planeta, mas as nossas pessoas”. Em 2020, decidiu fundar a Builtrix, focada em tornar edifícios mais eficientes através de dados e inteligência artificial.
Mas lançar uma start-up tecnológica como empreendedor estrangeiro não foi simples, especialmente porque “a maioria dos conteúdos aqui estão em português”, conta ao Jornal PT Green. Hatami sublinha que, na altura, era difícil perceber incentivos, regulações ou programas de apoio: “Se um estrangeiro quiser vir aqui e criar algo, ele não sabe exatamente quais são as regulações, quais são as formas de fazer negócio e quais são as ajudas”. Hoje, reconhece, a informação é mais acessível graças a iniciativas como a Startup Portugal ou o IAPMEI.
Depois de cinco anos no mercado, a empresa está consolidada. “Temos produtos, temos clientes, não só em Portugal, mas fora de Portugal.”
Inteligência artificial ao serviço da gestão energética
A Builtrix aplica modelos de ‘machine learning’ para prever consumos de eletricidade, água e gás. “Temos mais de dois anos de dados históricos do consumo de um ‘asset’, um prédio, e então criamos uma base de como o prédio se comporta numa situação normal. No inverno, no verão, no fim de semana, nas manhãs e nas tardes”. Cruzando padrões históricos com dados meteorológicos e ocupação, a plataforma estima consumos e identifica anomalias.
A empresa criou uma camada de Inteligência Artificial (IA) generativa, que cria “uma base de conhecimento” para cada edifício, permitindo comparar comportamentos e prever o desempenho de novos ativos.
Neste momento, estão a trabalhar numa ferramenta de “IA explicável”, que dá ao utilizador acesso à lógica por detrás do sistema e como é que ele chegou à sua recomendação. O objetivo é lançar esta funcionalidade já em 2026, tanto para clientes atuais como para novos.
Garantir qualidade dos dados é fundamental: “Se colocar lixo dentro do modelo, o lixo sairá”. Para isso, a Builtrix limpa e valida informação vinda de contadores inteligentes, usando ‘thresholds’ que asseguram níveis de fiabilidade acima de 80% ou 90%. Quando apresenta previsões, indica também a sua precisão.
Apoiar empresas na corrida às práticas ESG
Com a pressão regulatória europeia a aumentar, sobretudo com a CSRD (Diretiva de Reporte de Sustentabilidade Corporativa) e a taxonomia, Hatami vê as empresas a avançar lentamente. Muitas, sobretudo as pequenas, “ainda não sabem o que ESG significa” no seu modelo de negócio. Em resposta, a Builtrix quer ajudar a recolher dados ambientais e a preparar relatórios, trabalhando em parceria com plataformas nacionais como a SIBS.
Depois da análise, o foco passa a ser ação. Desde instalar painéis solares à adoção de veículos elétricos ou medidas de eficiência. Para Hatami, tudo começa por ajudar as empresas a entenderem melhor esta realidade. O segundo passo está no apoio da recolha de dados e no reporte em matéria ESG. E, depois disso, é “trabalhamos com os diferentes parceiros, como empresas com carros EV, de painéis solares, de soluções”, explica.
A ineficiência energética dos edifícios europeus
Com 75% dos edifícios da UE a serem considerado energeticamente ineficientes, o CEO vê uma oportunidade clara, sobretudo no sul da Europa, embora atualmente esta realidade seja mais notável a norte, em países como a Suécia. Hatami lembra o peso do setor: “40% do carbono que é emitido na atmosfera vem das cidades e dos prédios”.
Em Portugal, “nós também temos um tipo de incentivo público para prédios mais eficientes, janelas mais eficientes, coisas mais eficientes. Mas é muito pequeno”, frisa ao Jornal PT Green.
A solução, diz, passa por investimento, público e privado, e melhor gestão operacional nomeadamente na hotelaria e setor imobiliário. “Eles podem reduzir até 20% do seu consumo de energia […] apenas com uma mudança de rotinas”, refere. A Builtrix procura mostrar aos clientes “qual é o retorno do investimento”, seja em tecnologia ou em simples ajustes diários.
O futuro da energia com IA
Hatami antecipa um futuro de operações automatizadas: “Eu acho que a IA vai ser implementada em diferentes setores”, como o “da gestão da energia”. Refere que a inteligência artificial poderá facilitar os procedimentos na área. Explica que um sistema baseado em IA conseguirá perceber “quando ligar e desligar a luz”, bem como “ajustar a temperatura”. A seu ver este método pode ser mais eficiente, o que “significa menos consumo de energia, menos custo para o cliente e ter menos pressão na rede”.
Mas deixa um alerta: “Também há outra parte que é mais sobre a segurança cibernética e nós temos que considerar essa parte”. Com edifícios dependentes de sistemas inteligentes, garantir proteção contra ataques será crucial, na sua opinião.
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