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Jovens preocupam-se com o clima mas apontam falta de “soluções concretas”
Um estudo mostra que a maioria dos jovens atribui a função de combater as alterações climáticas ao Governo (30%), enquanto apenas 11% dos jovens acreditam que a responsabilidade é dos cidadãos individuais.
02 Ago 2026 - 10:30
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Foto: Magnific
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A maioria dos jovens portugueses entre os 18 e os 25 anos reconhece a gravidade das alterações climáticas e mostra-se disposta a mudar comportamentos, mas considera que as barreiras económicas e a falta de soluções concretas dificultam a adoção de práticas mais sustentáveis, conclui o novo estudo da Fundação EDP e da The Equator Company.
De acordo com o mesmo estudo, mais de 86% reconhecem que a atividade humana é o principal fator responsável pelas alterações climáticas, 84% acreditam que estas vão afetar as suas vidas no futuro e 80% declaram-se dispostos a mudar comportamentos.
Embora a maioria manifeste intenção de mudar comportamentos, o estudo conclui que cada jovem adota, em média, cinco medidas de sustentabilidade, sendo que 46% dizem pôr em prática apenas quatro ou menos ações individuais.
O estudo mostra ainda que a maioria dos jovens atribui a função de combater as alterações climáticas ao Governo (30%), enquanto 25% refere que a responsabilidade é da União Europeia e 20% das Nações Unidas. Apenas 11% dos jovens acreditam que a responsabilidade é dos cidadãos individuais.
De acordo com a Fundação EDP, estas respostas evidenciam “uma leitura estrutural do problema e o reconhecimento do papel central das decisões políticas e institucionais”, ao mesmo tempo que “reforça a necessidade de uma responsabilidade partilhada, assente na ação articulada entre instituições públicas, empresas, comunidades e cidadãos, cujos contributos são complementares para acelerar a transição ecológica”.
Entre os obstáculos à ação individual, os jovens referem preocupações com o custo de vida (48%) e o preço das soluções sustentáveis (46%), para além da percepção de que as mudanças estruturais dependem essencialmente de decisões políticas e económicas.
Alguns jovens mencionam ainda a dificuldade em compreender “como funcionam, na prática, os mecanismos de mitigação e transição”, notando que o foco tem estado mais na sensibilização para os problemas do que nas soluções, de acordo com o estudo.
“Este estudo mostra que os jovens portugueses não estão desligados das alterações climáticas, reconhecem a sua urgência e querem fazer parte da resposta. O desafio está em criar condições para que essa consciência se transforme em ação, com oportunidades mais acessíveis, mais próximas dos territórios e com impacto visível”, afirma Vanda Martins, diretora de Inovação Social da Fundação EDP.
Paralelamente, o estudo revela “uma geração mais informada e consciente, sem negacionismo”, com apenas 3% a afirmarem que não procuram informação sobre o tema.
Além disso, o estudo mostra ainda que os jovens auscultados prezam “a moderação do discurso”, na medida em que procuram orientações diretas e cientificamente sustentadas, e rejeitam “discursos inflamatórios ou alarmistas”.
De acordo com os jovens ouvidos, o debate é sentido como “agressivo, polarizado e político”, o que gera “fadiga e retração”. Assim, os jovens dizem preferir “abordagens moderadas e mudanças incrementais que se integrem nas suas rotinas sem exigir sacrifícios extremos” e referem a necessidade de “narrativas positivas, com conteúdos práticos, curtos e orientados para impacto real, em detrimento de discursos extremos, moralistas e negativos”.
O estudo conclui ainda que a escola e a universidade desempenham um papel importante na sensibilização para as alterações climáticas, com 56% dos jovens a considerar que estes contextos contribuíram para decisões mais informadas sobre sustentabilidade. Ainda assim, a análise aponta para uma abordagem fragmentada, pouco ligada às dimensões económica, tecnológica e profissional da transição ecológica.
Simultaneamente, 43% dos jovens afirmam que gostariam de trabalhar em áreas relacionadas com a sustentabilidade, mas muitos admitem desconhecer as profissões e os percursos de carreira associados à transição ecológica, o que, segundo o estudo, acaba por limitar a concretização desse interesse em escolhas profissionais.
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