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Mais de metade dos CEO associam sustentabilidade a valor para o negócio
Os CEO fizeram no último ano uma reflexão realista sobre a sua agenda de sustentabilidade, mas continuam empenhados em fazer mudanças, revela uma nova análise da consultora Bain & Company. Dia Nacional da Sustentabilidade assinala-se a 25 de setembro
25 Set 2025 - 08:07
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Depois de um declínio da sustentabilidade como prioridade para os líderes empresariais se ter registado entre 2023 e 2024, um novo estudo da consultora Bain & Company mostra que essa tendência já está a estabilizar e que, em 2024, 54% dos CEO associavam sustentabilidade a valor para o negócio e continuam a agir com esse propósito.
A partir de uma análise a 35 mil declarações feitas por CEO de 150 das principais empresas, em 2018, 2022 e 2024, a ferramenta Sustainability Pulse, baseada em inteligência artificial, identificou uma evolução clara: em 2024, 54% dos CEO associavam sustentabilidade a valor para o negócio, um aumento de 18% face a 2018.
A terceira edição do relatório “The Visionary CEO’s Guide to Sustainability 2025” revela também que 25% das emissões industriais de CO₂ já podem ser reduzidas de forma rentável.
“Após os primeiros anos de grandes ambições e discussão de metas, os CEO fizeram no último ano uma reflexão realista sobre a sua agenda de sustentabilidade. Hoje poderão falar menos sobre o tema, mas o que não expressam em palavras traduzem-no em ação — passaram do ‘dizer’ ao ‘fazer’”, afirmou Francisco Sepúlveda, partner da Bain em Lisboa. E acrescenta que este estudo mostra que “cada vez mais compradores B2B procuram fornecedores sustentáveis e que os consumidores B2C valorizam de forma crescente este fator, premiando as empresas que oferecem produtos inovadores, acessíveis e sustentáveis”.
Impacto positivo e negativo da IA
A análise deteta também a crescente utilização da inteligência artificial para gerar impacto sustentável. Nomeadamente, as empresas utilizam IA para reduzir o consumo energético, diminuir o desperdício, melhorar a segurança no trabalho e acelerar o progresso rumo aos seus objetivos de sustentabilidade. Dos 400 executivos de topo e responsáveis de sustentabilidade inquiridos em nove países, cerca de 80% veem uma oportunidade grande ou muito grande na IA para apoiar as suas iniciativas de sustentabilidade. No entanto, mais de 50% ainda estão nas fases iniciais de testes e exploração destas aplicações.
Contudo, os analistas advertem que os setores devem estar atentos ao impacto ambiental do crescimento da IA. Estimam que, num cenário de elevado crescimento, os centros de dados e a IA poderão emitir 810 milhões de toneladas de CO₂ por ano até 2035, o equivalente a 2% das emissões globais e 17% das industriais. Nos EUA, isso pode significar que a quota de emissões industriais atribuídas à IA aumente de 18% em 2022 para mais de 50% em 2035.
“A inteligência artificial deixou de ser opcional — é hoje essencial para desbloquear impacto sustentável. Enquanto muitas empresas ainda estão em fase de testes, líderes já aplicam a IA para reduzir energia e desperdício, melhorar a segurança e acelerar metas ambientais, capturando simultaneamente valor de negócio. A mensagem é clara: a IA não deve ser vista como um extra, mas integrada de forma estratégica e ambiciosa no centro da agenda de sustentabilidade.”, afirma Diogo Rebelo, senior manager da Bain.
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