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Mercados financeiros começam a penalizar riscos de transição energética

Bancos e empresas mais expostos a riscos climáticos enfrentam custos de financiamento mais elevados nos mercados europeus. Bancos podem pagar entre 7% e 12% mais juros no mercado de financiamento de curto prazo.

20 Jan 2026 - 09:27

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Foto: Adobe Stock/Andrii Yalanskyi

Foto: Adobe Stock/Andrii Yalanskyi

Os riscos associados às alterações climáticas estão a começar a refletir-se de forma direta no custo do financiamento. Segundo uma análise realizada pela Bloomberg a estudos recentes de vários bancos centrais europeus, os mercados financeiros já estão a incorporar riscos de transição energética e riscos físicos relacionados com o clima no preço do crédito.

Nomeadamente, um estudo publicado pelo Banco Central Europeu (BCE) no final do ano conclui que os bancos com maior exposição a atividades intensivas em carbono enfrentam custos de financiamento significativamente mais elevados no mercado europeu de “repurchase agreement”, empréstimo de curto prazo entre instituições financeiras e um dos principais instrumentos de liquidez de curto prazo do sistema financeiro.

De acordo com o estudo, bancos com maior exposição a atividades poluentes pagam entre 7% e 12% mais juros no mercado de financiamento de curto prazo, indicando que os riscos da transição climática já estão a influenciar o custo da liquidez bancária.

Margherita Giuzio, economista do BCE, explicou à Bloomberg que “os bancos estão expostos às condições económicas das empresas a quem concedem crédito, porque choques que afetem essas empresas podem influenciar a sua capacidade de reembolsar os empréstimos”. “O risco de transição, por exemplo decorrente de alterações nos preços do carbono, na regulação ou nas preferências dos consumidores, pode afetar os custos e a rentabilidade das empresas e, consequentemente, o seu risco de crédito”, acrescentou.

Recorde-se que o supervisor tem vindo a fazer alertas sobre os riscos climáticos, indicando que é importante incluir os riscos relacionados com as alterações climáticas nas avaliações de crédito usadas pelos bancos e agências de rating. E indica que o Eurosistema está a adaptar as suas metodologias para garantir que os impactos do clima sejam refletidos na análise da qualidade dos ativos financeiros aceites como garantia nas operações de financiamento.

Também um estudo do Banco Central da Irlanda indica que os riscos físicos das alterações climáticas já se refletem no custo do financiamento. Empresas localizadas em zonas com risco de cheias pagam entre 7 e 13 pontos base adicionais face a empresas sem essa exposição e são mais frequentemente obrigadas a apresentar garantias adicionais.

Por fim, a nível global, a Frankfurt School of Finance & Management analisou dados globais de empréstimos bancários, que mostram que empresas sediadas em países com maior vulnerabilidade climática enfrentam custos de financiamento mais elevados, refletindo a crescente preocupação dos mercados com os impactos económicos das alterações climáticas.

No conjunto, os estudos indicam que os riscos climáticos estão a passar do plano teórico para o centro das decisões financeiras, com efeitos mensuráveis no preço do capital.

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