2 min leitura
Métricas ESG não geram retorno financeiro a empresas do Golfo Pérsico
Estudo da Nova SBE e da ESMT Berlin diz que empresas da região aparentam alinhar-se sobretudo com metas impostas pelos respetivos governos, em vez de responderem a investidores.
02 Out 2025 - 15:24
2 min leitura
Foto: NASA, Wikimedia
- Novo tarifário dos serviços de água aposta na harmonização entre municípios
- BEI e Crédit Agricole CIB mobilizam 600 milhões de euros para redes energéticas europeias
- Gaia quer lançar concurso de manutenção de espaços verdes durante três anos com 5,6 ME
- Novo programa de ação visa reforçar combate à expansão de alga invasora
- Cascais Ambiente investe 738 mil euros em serviços de recolha de resíduos têxteis
- Governo mobiliza 110 milhões de euros para linha de crédito de apoio aos viticultores
Foto: NASA, Wikimedia
As práticas ESG (sigla inglesa para ambientais, sociais e de governança) ainda não se traduzem em retorno financeiro para a zona do Golfo, que engloba a Arábia Saudita, Bahrein, Emirados árabes Unidos, Kuwait, Omã e Qatar. A conclusão resulta de uma análise de 14 anos de dados de empresas cotadas, dirigida pela Nova School of Business & Economics (SBE) e a ESMT Berlin.
Em comunicado, realçam que, em vez de responderem à pressão de investidores, as empresas da região aparentam alinhar-se sobretudo com metas impostas pelos respetivos governos.
“No Golfo, a sustentabilidade corporativa não se desenvolve a partir da lógica empresarial, mas, possivelmente, da vontade do Estado. É um laboratório único para perceber como políticas públicas podem substituir ou complementar pressões de investidores”, acrescenta Catalina Stefanescu-Cuntze, professora na ESMT Berlin e coautora da análise.
O estudo “ESG-financial performance in the Gulf region: a bidirectional examination”, coloca na linha da frente a questão: “Será que empresas com bons resultados financeiros canalizam parte dos recursos para práticas ESG?”. Apostaram assim no aspeto bilateral do assunto. Ou seja, consideraram o “círculo virtuoso” entre sustentabilidade e sucesso financeiro das empresas, que se vê aliás a nível internacional, em separado, e verificaram que no Golfo não encontraram este padrão “em nenhum sentido”, explica Rodrigo Tavares, professor catedrático convidado na Nova SBE e coautor do estudo.
Apenas em 54 empresas, cerca de 3,7% da amostra recolhida, é que verificaram indícios de causalidade bidirecional. Além disso, só foram encontradas práticas unidirecionais em 10 negócios (18,5%), isto é, entidades onde fatores de sustentabilidade influenciam resultados financeiros ou o inverso disso.
O estudo sublinha então que, se em outros mercados – como o europeu, o asiático ou o americano – os investidores valorizam práticas sustentáveis, no Golfo o mecanismo aparente ser diferente: enquanto não adota as métricas ESG, aplica políticas públicas e estratégias de diversificação económica, como a Visão 2030 da Arábia Saudita ou a NetZero2050 dos Emirados.
- Novo tarifário dos serviços de água aposta na harmonização entre municípios
- BEI e Crédit Agricole CIB mobilizam 600 milhões de euros para redes energéticas europeias
- Gaia quer lançar concurso de manutenção de espaços verdes durante três anos com 5,6 ME
- Novo programa de ação visa reforçar combate à expansão de alga invasora
- Cascais Ambiente investe 738 mil euros em serviços de recolha de resíduos têxteis
- Governo mobiliza 110 milhões de euros para linha de crédito de apoio aos viticultores