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Microplásticos já chegaram ao único inseto nativo da Antártida
É o primeiro estudo internacional a confirmar a presença de partículas de plástico em insetos selvagens num dos ecossistemas mais isolados do planeta.
22 Fev 2026 - 14:50
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Mosquito Belgica antarctica | Foto: Igor Gvozdovskyy / Wikimedia
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Mosquito Belgica antarctica | Foto: Igor Gvozdovskyy / Wikimedia
Até um dos ecossistemas mais isolados da Terra já está a ser afetado pela poluição plástica, conclui um estudo internacional ao verificar que o único inseto nativo da Antártida, o Belgica antarctica, está a ingerir microplásticos no seu ambiente natural.
A investigação foi conduzida por cientistas da Universidade do Kentucky, EUA, e publicada na revista científica ‘Science of the Total Environment’.
Trata-se do primeiro estudo a avaliar o impacto dos microplásticos num inseto antártico e a confirmar a presença destas partículas em espécimes recolhidos na natureza.
Durante uma expedição científica ao longo da Península Antártica Ocidental, os investigadores recolheram larvas em 20 locais distribuídos por 13 ilhas. Após análise laboratorial, os cientistas encontraram fragmentos de microplástico em duas das 40 larvas estudadas. Embora o número seja reduzido, os investigadores consideram que o resultado demonstra que a poluição plástica já entrou na cadeia ecológica local.
Testes realizados em laboratório indicam que a sobrevivência das larvas não foi afetada mesmo em concentrações elevadas de microplásticos. No entanto, os cientistas observaram um efeito menos visível: os insetos expostos apresentaram menores reservas de gordura.
Essa alteração é relevante porque a gordura funciona como reserva energética essencial para sobreviver às condições extremas da Antártida, onde as temperaturas são muito baixas e os recursos são escassos, indicam os analistas.
O Belgica antarctica é um pequeno mosquito não picador com cerca de cinco milímetros, sendo considerado o inseto mais austral do planeta.
Apesar de a Antártida ser frequentemente vista como um ambiente intocado, estudos anteriores já tinham identificado fragmentos de plástico na neve e na água do mar da região.
Os autores do estudo defendem que a descoberta serve de alerta para a dimensão global da poluição plástica e sublinham a importância de acompanhar a evolução do problema nos ecossistemas polares.
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