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Noruega atinge vendas de 96% de carros elétricos motivadas por alterações fiscais
Federação Norueguesa de Estradas revela que país atingiu meta de vendas livres de emissões com 95,9% de quota para elétricos, mas transição da frota existente e eletrificação de pesados expõem limitações do modelo.
02 Jan 2026 - 11:36
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A Noruega registou em 2025 o maior número de veículos de passageiros novos da sua história, com 179.549 veículos, ultrapassando o anterior recorde de 2021, segundo dados da Federação Norueguesa de Estradas – OFV. Dezembro testemunhou um disparo de 157,7% nas vendas face ao mesmo mês de 2024, com 35.187 registos.
Os números consolidam também a Noruega como laboratório global da transição para a mobilidade elétrica. A quota de veículos elétricos nas vendas de carros novos atingiu 95,9% em 2025, cumprindo a meta estabelecida há uma década pelos políticos noruegueses. Em dezembro, essa quota disparou para 97,6%. Pela primeira vez, o número de carros elétricos na frota total ultrapassou os veículos a diesel, marcando uma viragem simbólica na história automóvel do país.
“A reta final do ano foi historicamente forte, e não há dúvida de que a mudança no IVA a partir de 1º de janeiro de 2026 contribuiu para que muitas pessoas optassem por adquirir um novo carro elétrico antes do fim do ano”, conclui Geir Inge Stokke, diretor da OFV.
“Estamos a ver o efeito de uma política de veículos elétricos a longo prazo e orientada para carros elétrico, e como decisões concretas em matéria de impostos têm um impacto imediato no mercado”, assegurou Geir Inge Stokke.
A Tesla consolidou uma posição de domínio no mercado norueguês, com 34.285 registos e uma quota de mercado de 19,1%. Isto é, quase um em cada cinco automóveis vendidos. O Model Y estabeleceu um recorde histórico com 27.621 matrículas, o maior número alguma vez registado para um único modelo na Noruega.
A Volkswagen recuperou terreno no final do ano. Com 5.237 novos registos, a marca conquistou 14,9% do mercado em dezembro, contra 16,2% da Tesla, reduzindo significativamente a diferença entre as duas marcas no último mês do ano, indica a OFV.
As marcas chinesas, com destaque para a BYD, conquistaram 13,7% das vendas (24.524 veículos), acima dos 10,4% de 2024, intensificando a concorrência num mercado cada vez mais disputado. Em dezembro, a sua quota atingiu 17%, evidenciando uma entrada acelerada que desafia os fabricantes tradicionais.
Os números revelam também as limitações estruturais da transição norueguesa. Dois em cada três automóveis particulares em circulação continuam a funcionar com combustíveis fósseis, e as assimetrias regionais persistem. Enquanto vários condados ultrapassaram 97% de quota elétrica nas vendas, Finnmark ficou-se pelos 86%, expondo como as condições locais – como clima, infraestrutura, distâncias – continuam a condicionar a adoção de alternativas mais amigas do ambiente.
Nos veículos pesados, a transição arrasta-se. Apenas 17,3% dos 4.770 camiões com mais de 3,5 toneladas registados em 2025 são elétricos, contra 73,2% a diesel. Nos autocarros, a quota elétrica atingiu 56,3%, enquanto nos veículos comerciais ligeiros chegou aos 45,2%. As disparidades regionais agravam-se: Oslo registou 29% de quota elétrica em novos camiões, mas Finnmark, Nordland e Innlandet não ultrapassaram os 10%.
“Para que a transição também seja bem-sucedida para os veículos pesados, as medidas devem ser mais direcionadas e a infraestrutura deve ser construída mais rapidamente onde as necessidades são maiores”, reconheceu Stokke, admitindo implicitamente que o modelo de incentivos não é suficiente quando a tecnologia e a infraestrutura não acompanham.
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