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OMS alerta que combate à poluição do ar está estagnado desde 2020

De acordo com a OMS, em 2023 o número de pessoas expostas à qualidade do ar mais baixa prevista pelas Diretrizes Globais de Qualidade do Ar da ONU foi 13 vezes maior nos países de baixos rendimentos do que nos países mais ricos.

01 Jul 2026 - 14:31

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Foto: Adobe Stock/myboys.me

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O combate à poluição a nível mundial está estagnado e não tem mostrado progressos, mostram os novos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda que os níveis de poluição tenham diminuído até 2020, desde então os indicadores permanecem praticamente inalterados. 

Além disso, a OMS conclui ainda que os países mais financeiramente desfavorecidos continuam a enfrentar níveis de exposição significativamente maiores do que as nações mais ricas. Estes países mais vulneráveis lidam com maiores riscos, tanto para a saúde pública, como para o meio ambiente. 

De acordo com a OMS, em 2023 o número de pessoas expostas à qualidade do ar mais baixa prevista pelas Diretrizes Globais de Qualidade do Ar da ONU foi 13 vezes maior nos países de baixos rendimentos do que nos países mais ricos, afetando 6,5 mil milhões de pessoas.

Já em 2024, aproximadamente 2 mil milhões ainda dependiam de fogões ineficientes e combustíveis poluentes para cozinhar, o que também resulta em elevados níveis de poluentes nocivos dentro e ao redor das residências. 

A Ásia, por exemplo, concentra os maiores níveis de poluição do ar, mas também demonstra os maiores avanços na redução desses níveis. Em contraste, regiões como África, Ásia Ocidental e Norte da África permaneceram praticamente sem progresso na última década.

A exposição tanto à poluição atmosférica quanto à poluição doméstica contribui para uma elevada carga de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer de pulmão, afetando principalmente as comunidades mais vulneráveis e as populações de maior risco, de acordo com a OMS.

Os países mais pobres são também os que mais sofrem com as consequências da poluição atmosférica: segundo a OMS estes países concentram 90% dos impactos da falta de qualidade do ar. 

Cerca de 83% dos impactos sentidos nos países de baixos rendimentos estão relacionados a doenças crónicas não transmissíveis, como doenças cardíacas, AVC, doenças respiratórias e cancro do pulmão.

Os novos dados da OMS revelam ainda que nas cidades o nível de poluição é “significativamente mais elevado” do que nas áreas rurais. 

Um padrão semelhante de desigualdade é também observado no acesso a energias limpa para cozinhar. Embora esse acesso tenha praticamente duplicado em grande parte da Ásia desde 2010, o número de pessoas sem acesso a energias de baixo carbono continua a crescer na África subsariana e no Norte do continente e na Ásia Ocidental.

Nas áreas urbanas, 89% da população tem acesso a combustíveis e tecnologias limpas para cozinhar. Entretanto, dos 2 mil milhões de pessoas que ainda não possuem esse acesso, 1,5 mil milhões vive em áreas rurais.

A OMS estima que, só na África subsariana, cerca de 970 milhões de pessoas ainda não têm acesso à energia limpa para cozinhar, número que poderá atingir 1 mil milhão até 2027. Até 2030, prevê-se que 58% do déficit global de acesso à energia esteja concentrado nessa região.

Segundo a organização, não é possível enfrentar a crise climática e a poluição do ar, e consequentemente proteger a saúde pública, “sem informações confiáveis que evidenciem as desigualdades globais”.

Para Bruce Gordon, diretor do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Migração da OMS, “é necessário colocar a ciência no centro das ações de monitoramento. Além disso, é fundamental fortalecer a colaboração multissetorial para garantir o acesso universal ao ar limpo e à energia limpa, protegendo a saúde das pessoas e do planeta ”, de acordo com comunicado de imprensa da ONU.

 A organização apela ainda para um esforço conjunto, a fim de  cumprir a meta da OMS de reduzir em 50% a mortalidade relacionada à poluição do ar até 2040, além de contribuir para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de assegurar acesso universal à energia limpa para cozinhar até 2030 e para a ambição global de eliminar a pobreza energética relacionada ao preparo de alimentos.

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