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Ondas de calor na Europa aumentaram produção solar em 17% e reduziram outras fontes
Aumento em junho e julho ajudou a responder às necessidades da rede elétrica, numa altura em que a procura de eletricidade subiu até um quarto. Por outro lado, nuclear, gás e carvão foram condicionados pelo calor extremo, segundo a Ember.
13 Ago 2026 - 08:12
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Foto: Adobe Stock/Photocreo Bednarek
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O aumento de consumo de eletricidade assinalado pelas ondas de calor que se registaram nos meses de junho e julho na Europa foi, de certa forma, compensado pelo aumento da produção solar nesse na ordem dos 17% nesse mesmo período.
Segundo uma análise revelada nesta quinta-feira pelo ‘think tank’ de energia, Ember, este aumento ajudou a responder às necessidades da rede elétrica, numa altura em que a procura de eletricidade subiu até um quarto nos dias mais quentes.
A análise avalia o impacto das ondas de calor em alguns dos sistemas elétricos mais afetados. Durante a onda de calor do final de junho, a procura diária de eletricidade aumentou até 26% na Hungria, 22% em Itália, 11% em França e 8% em Espanha, face à semana anterior.
À medida que a procura impulsionada pelas ondas de calor aumentava, a energia solar foi a única das principais fontes de produção elétrica a apresentar um desempenho superior ao habitual. Em comparação com os restantes dias de junho e julho, a produção solar diária média durante as ondas de calor foi 17% superior em França e na Hungria, 5% superior em Espanha e manteve-se ao mesmo nível em Itália.
“O aumento da produção solar ajudou a estabilizar as redes num período em que outras fontes de energia estavam a ter dificuldades em assegurar a produção”, afirma Chris Rosslowe, analista sénior de energia da Ember.
Restantes fontes condicionadas pelo calor extremo
Por outro lado, estas condições meteorológicas extremas impactaram o normal funcionamento das outras fones de energia. Segundo a Ember, ocalor extremo e a seca condicionaram o fornecimento de eletricidade de origem nuclear, a gás e a carvão em toda a Europa durante as ondas de calor deste verão.
A produção nuclear foi reduzida em França, na Hungria, na Roménia, onde centrais foram encerradas pelo baixo caudal de rios que fazem ao arrefecimento de centrais; na Suíça, o calor aqueceu o rio Aare e este não proporcionou o arrefecimento necessário à central nuclear mais antiga da Europa, Beznau, localziada no norte do país.
No Reino Unido, cinco centrais a gás no Reino Unido reduziram a produção em 2,5 GW durante o período de calor de junho, enquanto os baixos níveis de água no rio Pó, o mais longo de Itália, ameaçaram a produção a gás no país. As limitações ao arrefecimento provocadas pela seca obrigaram também centrais a carvão na Polónia e na Sérvia a reduzir a produção.
A energia hidroelétrica também foi afetada. Em julho, sete dos oito maiores produtores da União Europeia, que representam em conjunto mais de 90% da produção hidroelétrica da UE, registaram uma produção abaixo das respetivas médias dos últimos cinco anos, revela o ‘think thank’.
“A energia solar já está a assumir um papel importante durante as ondas de calor, mas o verdadeiro desafio começa depois do pôr do sol. À noite, quando a procura para arrefecimento continua elevada, a rede fica mais exposta à dispendiosa produção a gás”, afirma Chris Rosslowe.
Impacto das ondas de calor faz disparar os preços
Durante as ondas de calor do final de junho e início de julho, os preços médios diários da eletricidade foram 119% mais elevados na Hungria, 44% em França, 13% em Itália e 7% em Espanha do que em dias comparáveis das semanas anteriores. Em vários mercados, os preços da eletricidade também dispararam no início da noite, atingindo alguns dos níveis mais elevados dos últimos anos.
“Enquanto a energia solar salva o dia, o armazenamento em baterias pode salvar a noite. Em conjunto, são uma das formas mais claras de tornar o sistema elétrico europeu mais resiliente perante verões mais quentes. À medida que a produção solar aumenta durante as ondas de calor e outras fontes de energia enfrentam dificuldades, o armazenamento pode transportar essa eletricidade barata para o período noturno”, defende Rosslowe.
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