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ONU alerta para aumento do impacto das catástrofes naturais na sociedade

Ainda que o número de mortes causadas por catástrofes naturais tenha baixado 65% nos últimos 10 anos, o número de pessoas afetadas quase duplicou. Guterres apela a responsabilidade dos Governos na organização territorial.

13 Out 2026 - 18:03

3 min leitura

Foto Município da Marinha Grande Facebook

Autor

Maria Almendra Carvalho

Jornalista estagiária

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Foto Município da Marinha Grande Facebook

A taxa de mortalidade associada a catástrofes diminuiu 65% na última década, mas o número de pessoas afetadas por estes eventos extremos quase duplicou, segundo dados do Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes (UNDRR), divulgados a propósito do Dia Internacional para a Redução do Risco de Catástrofes, assinalado nesta terça-feira.

Perante estes dados, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos governos para que exijam o cumprimento de normas de construção que tenham em conta os riscos e promovam um planeamento adequado do território. 

Segundo comunicado das Nações Unidas, Guterres defendeu ainda o investimento do setor privado em construções mais resilientes e em seguros a preços acessíveis, salientando a importância dos sistemas de alerta precoce e do acesso dos países em desenvolvimento aos recursos necessários para prevenir e enfrentar catástrofes.

Entre os períodos de 2005 a 2014 e 2016 a 2025, a taxa de mortalidade associada a catástrofes passou de 2,12 para 0,75 mortes por cada 100 mil habitantes. Em contrapartida, o número de pessoas afetadas aumentou de 1227 para 2449 por cada 100 mil habitantes, quase duplicando. Entre 2016 e 2025, cerca de 100 milhões de pessoas foram afetadas por catástrofes, em média, por ano.

Segundo a ONU, as perdas económicas diretas ascenderam a cerca de um milhão de milhões de dólares, enquanto as perdas totais, incluindo os impactos indiretos, poderão atingir 2,3 milhões de milhões de dólares num único ano. 

Os impactos das catástrofes naturais são desproporcionais entre países, aponta a ONU. Os países menos desenvolvidos concentram 28,7% das mortes registadas, enquanto os países em desenvolvimento sem litoral representam 20,8% dos óbitos.

Apesar destes desafios, as Nações Unidas registaram progressos na preparação para catástrofes. O número de países que comunicaram dispor de estratégias nacionais de redução do risco aumentou de 56, em 2015, para 151. Já o número de países com sistemas de alerta precoce para vários tipos de riscos passou de 55 para 128 no mesmo período.

É importante relembrar que, no início deste ano, Portugal foi atingido por um comboio de tempestades que afetaram, principalmente, o centro do país. Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

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