3 min leitura
Organização Meteorológica Mundial lança plano de €93 milhões para reforçar sistemas globais de previsão
O programa WMO Commons visa modernizar as infraestruturas críticas de clima, água e meteorologia, para reforçar a segurança e a resiliência económica mundial.
31 Out 2025 - 10:04
3 min leitura
Foto: Pixabay
- Europa quer liderar observação dos oceanos com a iniciativa OceanEye
- CE lança pacote para reforçar soberania tecnológica e foco na transição energética
- ENNO já fornece 160 GWh de eletricidade renovável a mais de 9 mil instalações no Grande Porto
- Agricultores com 20 ME de apoio para mitigar custos com energia e fertilizantes
- UE lança maior operação de prevenção aos incêndios de sempre com Portugal entre os países prioritários
- Programa nacional vai mapear oceano português até 2035
Foto: Pixabay
A Organização Meteorológica Mundial (WMO) lançou um plano de 100 milhões de dólares, cerca de 93 milhões de euros, a serem mobilizados nos próximos cinco anos, destinado a reforçar os sistemas globais de previsão meteorológica, climática e hídrica, garantindo dados e serviços essenciais para a economia mundial e a segurança global.
A iniciativa, denominada WMO Weather, Climate and Water Intelligence Commons (WMO Commons), será lançada formalmente em 2026.
Segundo a secretária-geral da WMO, Celeste Saulo, este sistema não é um fundo no sentido tradicional, mas sim “um investimento em continuidade e confiança”, que reunirá recursos públicos, filantrópicos e privados “para garantir que os dados fluem livremente, que os sistemas permanecem interoperáveis e que a inovação chega a quem mais precisa”.
Saulo alertou para a urgência da ação: “Hoje, os eventos climáticos extremos estão a acelerar mais rápido do que a nossa capacidade de os gerir. Em 2024, as perdas globais relacionadas com o clima atingiram 318 mil milhões de dólares – metade não seguradas. Mas com cada dólar investido em alertas precoces e inteligência climática, poupamos até quinze [dólares]. A lógica é simples: a resiliência compensa”, referiu na apresentação do plano, nesta semana, em Genebra, na Suíça.
A responsável da WMO sublinhou ainda que “a missão da WMO não é caridade, é gestão de risco em escala planetária. É a base sobre a qual dependem as finanças sustentáveis, cadeias de fornecimento resilientes e sociedades estáveis”.
Segundo a organização, a infraestrutura pública global de meteorologia, clima e água continua “criticamente subfinanciada e cada vez mais frágil”. Desde sistemas de alerta precoce a previsões sazonais e análises de risco, os dados e serviços da WMO sustentam a resiliência de múltiplos setores e são utilizados diariamente por biliões de pessoas através de plataformas de acesso ao público, informa.
O WMO Commons procura reunir recursos para sustentar e modernizar esta infraestrutura crítica, garantindo interoperabilidade, qualidade, inovação, acesso aberto, capacidade institucional e cocriação com os utilizadores.
A iniciativa assenta em quatro caminhos estratégicos: manter e otimizar o Sistema Global de Observação, reforçar a interoperabilidade de dados e previsões, expandir serviços de alto impacto e alertas precoces, e promover capacidade e cocriação com os utilizadores.
Recorde-se que recentemente António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, chamou a atenção para esta questão e defendeu que todos os países deveriam implementar sistemas de alerta de desastres climáticos, já que conseguem reduzir danos em até 30%. “Os sistemas de alerta precoce funcionam. Dão aos agricultores o poder de proteger as suas colheitas e o seu gado. Permitem que as famílias evacuem com segurança e protegem comunidades inteiras da devastação”, referiu, acrescentando que a mortalidade relacionada com desastres é pelo menos seis vezes menor em países com bons sistemas de alerta precoce.
- Europa quer liderar observação dos oceanos com a iniciativa OceanEye
- CE lança pacote para reforçar soberania tecnológica e foco na transição energética
- ENNO já fornece 160 GWh de eletricidade renovável a mais de 9 mil instalações no Grande Porto
- Agricultores com 20 ME de apoio para mitigar custos com energia e fertilizantes
- UE lança maior operação de prevenção aos incêndios de sempre com Portugal entre os países prioritários
- Programa nacional vai mapear oceano português até 2035