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Organizações mundiais do clima e da água reúnem pela primeira vez para debater alterações climáticas
Cerca de 60 especialistas vão discutir os riscos climáticos associados à água e identificar lacunas de conhecimento que poderão contribuir para o próximo relatório de avaliação do IPCC.
06 Set 2026 - 14:54
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Foto: Freepik
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O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) e o Instituto Internacional de Gestão da Água (IWMI) vão reunir, pela primeira vez, cerca de 60 especialistas para aprofundar o conhecimento científico sobre a relação entre água e alterações climáticas, entre 8 e 10 de setembro, no Sri Lanka.
O encontro vai reunier especialistas de referência na área com o objetivo de analisar o atual estado do conhecimento sobre a relação entre água e clima, identificar necessidades prioritárias de investigação e produzir evidências que possam apoiar políticas públicas e práticas a nível local, nacional e mundial.
O resultado do encontro poderá ainda contribuir para o Sétimo Relatório de Avaliação do IPCC (AR7), a publicar até ao final de 2029, que reunirá a mais recente evidência científica sobre as bases físicas das alterações climáticas, os seus impactos, riscos e opções de adaptação, bem como as medidas de mitigação, irá também incluir um capítulo dedicado especificamente à temática da água.
“A água molda as economias, as vidas e os meios de subsistência em todo o mundo. Depende do clima e, por isso, a variabilidade e as alterações climáticas afetam a sua disponibilidade e distribuição, com consequências diretas, em cascata, cumulativas e transfronteiriças que determinam a forma como as comunidades se adaptam, a sua exposição aos riscos relacionados com a água e o modo como se tornam cada vez mais vulneráveis”, afirma Cromwel Lukorito, vice-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC.
As organizações sublinham que a água estabelece ligações entre os setores alimentar, climático, da saúde, económico e dos ecossistemas e atravessa todos estes domínios. No entanto, o mundo não deverá alcançar uma gestão sustentável da água antes de, pelo menos, 2049. Isto porque cerca de 40% dos países continuam a ter capacidade limitada para equilibrar as necessidades concorrentes de água entre diferentes setores e fazer face às crescentes pressões decorrentes das alterações climáticas.
Os peritos sublinham que a transformação dos sistemas hídricos implica desenvolver e ampliar soluções sustentáveis para a gestão da água nos setores da alimentação, dos solos, da energia e dos ecossistemas.
“A nível mundial, enfrentamos uma crise de governação da água devido à crescente incerteza dos riscos climáticos, o que dificulta a tomada de decisões por parte dos governos sobre a gestão sustentável da água e sobre os investimentos necessários”, afirma Mark Smith, diretor-geral do IWMI. Acrescentando que esta colaboração entre as duas organizações “é particularmente importante para ajudar os países a desenvolver soluções baseadas em evidências e preparadas para os desafios futuros, tendo em vista a segurança hídrica”.
A reunião de peritos irá identificar as principais lacunas de conhecimento sobre a água e as alterações climáticas e contribuir para reforçar as bases científicas das futuras avaliações climáticas. Visa também desenvolver um relatório de síntese sobre água, resiliência climática, adaptação e equidade, destacando a importância de gerir o ciclo hidrológico na sua totalidade para garantir a segurança hídrica, ecossistemas saudáveis e comunidades resilientes.
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