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Pausa da Reliance nas baterias revela fragilidades estruturais da indústria global
Fracasso nas negociações com uma empresa chinesa expõe a dependência tecnológica, os riscos geopolíticos e o diferencial de custos que continuam a condicionar a ambição de soberania energética da Índia.
14 Jan 2026 - 13:29
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A decisão da Reliance Industries Limited de suspender o seu projeto de produção de células de baterias de iões de lítio na Índia vai além de um simples revés negocial. Segundo a GlobalData, o projeto caiu após o fracasso das negociações com a chinesa Xiamen Hithium Energy Storage Technology. A deliberação surge num contexto marcado pelo recente estreitamento dos controlos de exportação da China sobre componentes críticos e de baterias de lítio.
Para a GlobalData, o impacto é particularmente sensível na Índia, onde as células de bateria são um pilar central da estratégia de descarbonização nos transportes. “De acordo com a estrutura PLI (Incentivo Vinculado à Produção, em português) de 2022, as empresas devem cumprir metas rigorosas em termos de escala de produção e valor agregado local dentro de prazos definidos”, descreve o analista sénior do setor automóvel da consultora. Madhuchhanda Palit frisa que “sem acesso a tecnologia de células madura e competitiva em termos de custos, essas metas tornam-se estruturalmente difíceis”.
A decisão da Reliance de redirecionar esforços para a montagem de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), destinados aos seus próprios projetos renováveis, é vista como um ajuste pragmático. A empresa avança “onde a integração é possível, enquanto o acesso à tecnologia ‘upstream’ permanece restrito”, sublinha ainda Palit.
O caso indiano não é o único. Nos Estados Unidos, o BlueOval Battery Park da Ford, no Michigan, concebido com base na tecnologia LFP da chinesa CATL, enfrentou igualmente obstáculos políticos e regulatórios em 2024. A resposta da construtora norte-americana passou por reduzir a capacidade do projeto, alterar a estrutura acionista para manter o controlo total e até ponderar a conversão do investimento para aplicações de armazenamento de energia à escala da rede elétrica. “Geografia diferente, mesma questão subjacente: a dependência da tecnologia chinesa de baterias agora acarreta riscos estratégicos e políticos”, observa a GlobalData.
A China domina o refino químico do lítio e a produção de ânodos, o que lhe confere uma vantagem tecnológica e de custos difícil de replicar. “Construir uma fábrica de baterias fora da China deve custar cerca de um terço a mais do que dentro do país”, explica Palit, apontando esta diferença como o principal motivo que levou fabricantes globais a procurar parcerias chinesas, apesar da exposição geopolítica conhecida.
Perante este cenário, governos e empresas estão a recalibrar as suas estratégias. Químicas alternativas, como as baterias de iões de sódio, ganham tração graças à maior abundância de matérias-primas e à menor concentração geopolítica. Em paralelo, economias ocidentais reforçam o investimento em investigação em baterias de estado sólido, numa tentativa de contornar as atuais dependências do lítio.
É neste contexto que se insere a aquisição, em 2024, da britânica Faradion pela Reliance, para assegurar tecnologia de iões de sódio. Para a GlobalData, trata-se de uma apólice de seguro estratégica a longo prazo.
“O revés da Reliance faz mais do que destacar um acordo comercial perdido”, conclui Palit. “Mostra como o controlo da tecnologia avançada se tornou central na corrida global às baterias para veículos elétricos. Hoje, a autossuficiência exige estratégia geopolítica, acesso a know-how e alianças diversificadas, tanto quanto investimento financeiro”.
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